CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, apresenta os desafios disruptivos e de capacitação para os próximos 50 anos e pede recursos

Publicado em 08/05/2023

Divulgação Embrapa
Silvia Massruhá, presidente da Embrapa

Entrevistei a nova presidente da Embrapa, pela primeira vez uma mulher, doutora das Ciências da Computação, Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá. Ela aborda os compromissos com todos os agricultores do país de todos os portes incluindo o combate à pobreza e desigualdades. Fala de uma Embrapa plural e democrática e com muita consciência das transições nutricionais, energéticas, e ambientais com as mudanças climáticas.

“O nosso compromisso é com a produção de alimentos saudáveis em bases sustentáveis. Sustentabilidade nas três dimensões: ambiental, econômica e social. Por ser uma empresa pública, a Embrapa deve atender as diferentes demandas de mãos dadas com aproximadamente 5 milhões de produtores rurais, desde os menos até os mais tecnificados. Seguimos atuando no mercado, investindo em inovação, e com parcerias com a iniciativa privada. Mas também devemos auxiliar a fomentar políticas públicas que viabilizem o acesso a pequenos e médios agricultores as tecnologias, o que tem grande potencial de aquecer a economia, de combater a pobreza, de garantir a segurança alimentar e de reduzir as desigualdades. Buscamos continuamente o aperfeiçoamento técnico, científico e administrativo na vanguarda da ciência e da tecnologia para cumprir essa missão plural e democrática. É possível que transições nutricionais seja um dos maiores desafios para a pesquisa agropecuária brasileira no futuro próximo. Cada vez mais no mundo todo temos um consumidor mais exigente, mais preocupado com nutrição, saúde, qualidade de vida, novos tipos de dieta e origem dos alimentos e transparência no processo de produção agrícola. Para atender esse novo consumidor o Brasil, que consolidou a liderança na produção de alimentos a custos competitivos, com grandes volumes de commodities, precisará investir em diversificação e agregação de valor. Nosso país também pode ocupar novos espaços na transição energética, que é um outro grande desafio da agropecuária brasileira e mundial. Mudanças climáticas seguirão impondo metas severas de descarbonização para a agricultura e para todas as indústrias que têm dependência extrema de recursos fósseis. Precisamos ampliar a nossa agricultura de baixo carbono e investir em sistemas de produção mais sustentáveis, insumos biológicos e em sistemas integrados com a integração lavoura, pecuária e floresta e os sistemas agroflorestais. Temos como meta fortalecer as ações de bioeconomia para impulsionar o desenvolvimento sustentável nos 6 biomas brasileiros.”

Silvia, a Embrapa capacitou muita gente como um marco do seu sucesso na sua origem há 50 anos. A ciência evolui agora na velocidade da inteligência artificial. Quais são os planos da Embrapa para os saltos disruptivos na tecnologia e na capacitação humana?

“Para atender aos novos consumidores e a todas essas tendências nas áreas agrícola e energética teremos de investir em mais áreas disruptivas como a engenharia genética, biotecnologia, nanotecnologia, ciências cognitivas, automação, agricultura de precisão e agricultura digital. E o grande desafio quando se fala de tecnologia emergentes, Tejon, vai além do campo tecnológico e das escolhas a serem feitas. Precisamos ter recursos para manter a pesquisa pública em sintonia com a fronteira do conhecimento a médio e longo prazo, além de mantermos a parceria público-privada para avançarmos a curto prazo, como acontece nos países desenvolvidos da América do Norte, da Europa e da Ásia. Vamos elaborar um plano de revitalização e modernização da Embrapa, e de valorização das pessoas. É hora de investir na capacitação das pessoas, como tudo começou há 50 anos. Costumo dizer que a nossa empresa é um celeiro de brilhantes e almas comprometidas. Portanto a recomposição do quadro com novos perfis para atender o momento atual é essencial para conseguirmos manter o protagonismo do Brasil na agricultura tropical e mundial. Seguimos atentos as demandas e trabalhando para enfrentar desafios atuais e futuros”.

Uma Embrapa com foco em pesquisa para cada um dos 6 biomas brasileiros será vital para atendermos a expectativa dos nossos clientes mundiais sobre o meio ambiente. Não somente com a Amazônia, mas também com o pampa, mata Atlântica Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Uma empresa vital para o agro nacional e a segurança alimentar, energética e ambiental mundial.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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