CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Agronegócio inspira, é parte da grande solução, mas precisamos do país todo em ação, “tocando em frente” e pacificação

Publicado em 14/05/2021

Divulgação
Instituto Millenium

O Instituto Millenium, uma entidade sem fins lucrativos e vínculos político-partidários, fez uma análise do setor do agronegócio e revelou que o setor vem ganhando cada vez mais espaço na economia brasileira, mesmo com a queda de 4,6% no PIB no ano passado. Em termos nominais atingimos R$ 7,4 trilhões, em dólar US$ 1,4 trilhões. E a soma do PIB da agropecuária foi o único em alta no ano passado com 2% enquanto a indústria caiu (-3,5%); os serviços (-4,5%).

O montante de receita do agronegócio, em 2020, ficou em 1 trilhão e 970 bilhões de reais, significando 24,31% do PIB do país. Praticamente 25% da economia. Porém, em dólar, esta soma em reais ficou abaixo de US$ 380 bilhões, com o dólar fechando 2020 a uma taxa de R$ 5,1961 (segundo o Ipea). E nós já somamos anos com volumes em dólar na faixa de US$ 400 a US$ 500 bilhões.

De fato o estudo do Instituto Millenium ressalta a inovação, a tecnologia. E da mesma forma mostra que a indústria parte das cadeias produtivas do agro conseguiram superar positivamente o ano, como nos alimentos 4,2%, o fumo 10,1%, papel e celulose, 1,3%; e ainda petróleo e biocombustíveis, muito ligados ao agro crescendo 4,4%.

A agropecuária isoladamente representa 5,9% do PIB. E o agronegócio acumulado nas cadeias produtivas cerca de 25% do PIB. A conclusão do Instituto Millenium é óbvia mostrando que se não fosse o impacto positivo da agropecuária e seu reflexo nos setores industriais, comerciais e de serviços, nós estaríamos num buraco econômico insustentável. O empreendedorismo e a iniciativa privada, ao lado de setores avançados do governo, nos últimos 50 anos, notadamente instituições como a Embrapa, IAC, universidades de Ciências Agrárias, e a coragem de agricultores na jornada para o Cerrado brasileiro são notáveis exemplos encorajadores para todo o país, de uma agropecuária que não depende de subsídios públicos.

O estudo mostra os percentuais de participação de cada segmento do agronegócio, no antes, dentro e pós-porteira das fazendas. O antes, insumos soma 4,0%; o dentro, a agropecuária propriamente dita 26,20%; o pós-porteira das fazendas tem na indústria 24,20%, nos serviços 45,60%, o que dá a soma dos 100% atingindo 24,31% do total do PIB do país. Desta forma fica evidente que o dentro da porteira, 26,20% do PIB do agronegócio, impulsiona e é impulsionado por 73,8% do conjunto industrial e de serviços.

Sim, precisamos urgente replicar essa experiência já dos últimos 50 anos em todos os demais setores, pois fica evidente que apenas com o agronegócio não conseguiremos carregar todo o país nas costas. Agora entre 2011 a 2020, o PIB total do país cresceu apenas 2,7%, a agropecuária 32,5%, a indústria 9,2% e os serviços 5,0% (Abag).

A conclusão poderia ser, sem a agropecuária estaríamos insustentáveis em todos os sentidos, porém sem o crescimento dos demais setores não conseguiremos crescer o PIB para dimensões aceitáveis e necessárias para um país como o Brasil, onde até 2030 precisaríamos dobrar de tamanho.

Sem dúvida planejamento estratégico é fundamental para a saída ao futuro do país. O agronegócio inspira, é grande parte da solução. Mas precisamos do país todo em ação. “Tocando em frente” como cantam Almir Sater e Renato Teixeira  e com pacificação dos espíritos. E relembrando o jornalista Joelmir Betting, que dizia: “O Brasil é maior do que o buraco”, mas eu diria, não vamos exagerar pessoal!

www.institutomillenium.org.br

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão

Também pode interessar

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos. Teve origem num decreto de 2011, de Nº 7.623 que regulamenta a Lei 12.097, de 24 de novembro de 2009. Portanto, tema já de longa data nas discussões. Significa um programa de rastreabilidade dos animais ao longo dos próximos 7 anos. A adesão será obrigatória.
Falo aqui de Mariópolis, Paraná, no evento Safra Forte da Camisc, onde obtivemos ótima análise da situação das tendências agrícolas e também dos riscos para a nova safra. Após cinco feiras agropecuárias no primeiro quadrimestre do ano observamos a tendência ao crescimento do setor neste ano, como observamos na Expodireto da Cotrijal no Sul, na Show Rural no Paraná, Tecnoshow, em Goiás, e nesta semana na Expozebu de Uberaba (MG) e Agrishow Ribeirão Preto, em São Paulo.
Enquanto discutimos transição energética saudável o crime organizado entrou forte nos combustíveis. A utilização do etanol para falsificação de bebidas destiladas com morte de pessoas foi descoberta há pouco tempo, através do crime organizado da base da pirâmide criminosa.
A revista The Economist publicou na semana passada (26) uma matéria afirmando: “com o petróleo em alta e uma crise energética global em curso devido a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o Brasil conta com uma vantagem estratégica: os biocombustíveis”. A revista britânica enfatiza que “o Brasil tem uma arma secreta contra choques de petróleo e os biocombustíveis vão ajudar o país a enfrentar efeitos do conflito no Oriente Médio”.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite