CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Esalq faz 120 anos. Ciências agrárias, mas sem dúvida um show de ciências humanas!

Publicado em 02/06/2021

Divulgação Esalq
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) faz 120 anos.

Além de um campus universitário dos mais lindos do mundo, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Esalq-USP foi eleita a 4ª melhor universidade de ciências agrárias do planeta. Nasceu em 1901 de um sonho: Luiz Vicente de Souza Queiroz, em Piracicaba, Estado de São Paulo, doou as terras da fazenda São João da Montanha, com a condição de que ali fosse construída uma escola agrícola. Mas esse legado só foi possível de ser concretizado porque a senhora Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, já viúva, concluiu e validou o sonho do seu marido, sonhando junto com ele.

Esalq é a concretização do sonho de um casal. E aqui vale o registro da célebre frase de Winston Churchill, enfrentando os nazistas com recursos escassos, que disse: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Assim podemos considerar a história da Esalq e de seu fundador. E como marco da continuidade desse DNA de feitos, hoje o terceiro titular da cátedra Luiz de Queiroz é o engenheiro agrônomo Alysson Paolinelli, que também concorre ao Nobel da Paz e junto com ex-diretores dessa instituição que honra e já formou mais de 16 mil profissionais, dentre eles amigos espetaculares com quem convivi e convivo, estarão no canal @esalqmidias, nesta quinta-feira (dia 3), às 14 horas.

As histórias e os feitos científicos da Esalq são imensos e continuam sendo, como neste momento, em instalação, o Centro de Inovação para a Agricultura China Brasil. Imaginem a importância estratégica desse acordo com pesquisas bilaterais em agricultura tropical, com o principal parceiro do agronegócio brasileiro.

Mas preciso aqui registrar que, além de ciências agrárias, seja também a Esalq um show de ciências humanas, criando líderes e gente de ilibada ética. Quero apenas dar dois exemplos para em nome deles celebrar este título de ciências humanas, generalizando para todos esalqueanos este justo double degree. O professor Roque Dechen, que também foi diretor da Esalq e vice-reitor da USP, me contou a jornada incrível de Fernando Penteado Cardoso, fundador da Manah e da Fundação Agrisus, hoje com 106 anos, um esalqueano de impressionante superação se formando com louvor, estudando sozinho em função de um contágio que havia adquirido.

Mas é genial a história de a quem devemos a soja, hoje a rainha da economia, a Shiro Miyasaka, que foi estudar a cultura no Japão e a introduziu no Brasil. Mas outro ser humano espetacular, o ruralista Alexander Von Pritzelwitz, decidiu doar 10% de tudo o que sua fazenda gerava, em Londrina, para manter estudantes sem renda. E o Shiro Miyasaka foi um deles. Esse mesmo homem doou a fazenda Figueira, 3,7 mil hectares para a Fealq - Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz.

120 anos de Esalq. Quantos seres humanos escreveram e escrevem essa história. Numa fase de luta antinegacionismo, a Esalq, a 4ª melhor universidade de ciências agrárias do mundo, educa e estabelece a ciência. Mas além disso tudo, guarda e nos revela o quanto somos dependentes de pessoas que atuam com os valores sólidos da generosidade, guerreiros das forças criadoras da evolução humana na terra.

Parabéns Esalq, esalqueanos, ciência, educação e exemplo vivo da ciência humana ao lado das ciências agrárias!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Segundo a Abiogás, Associação Brasileira do Biogás, temos um potencial para produção de biogás natural renovável na ordem de 121 milhões de Nm3 (metro cúbico normal) no país, o que para dar uma visão de grandeza, equivaleria a substituir em 70% todo óleo diesel usado no transporte, caminhões e ônibus, além de substituindo o diesel, reduzir em 96% as emissões de CO2.
Os Estados Unidos são o maior concorrente do agro do Brasil. E sob o comando do jeito Trump de negociar colocando o “food system” na guerra geopolítica, parece que as evidências evidenciam que o agro brasileiro vende mais, tem mais mercados receptivos e em abertura do que sob outros estilos de governar e de negociar do nosso maior concorrente, os EUA.
Pedro Malan no Estadão de domingo (14) e Roberto Rodrigues, Estadão Economia (B7), escreveram duas obras primas da consciência.
Neste Agroconsciente queremos enviar nossa solidariedade ao povo gaúcho. As adversidades climáticas têm trazido sofrimento e consequências nas safras do Rio Grande. Tivemos 2 anos de estiagem, de seca, e agora nesta semana ciclones com enchentes e além de efeitos no agronegócio do Rio Grande, com mortes e dores, sofrimentos humanos.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite