CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Está mais barato tomar vinhos franceses na França do que comer papaia e avocados do Brasil, aqui na França

Publicado em 20/02/2023

TCA

Visitando casas de frutas em Nantes, na França, onde estamos começando o programa internacional de agronegócio com alunos do mundo inteiro, essas casas, e os supermercados, oferecem um grande show de diversidade de origens.

Frutas e hortaliças de diversos pontos da própria França e do mundo. Encontrei papaia do Brasil e avocado brasileiro. Primeiro e antes de tudo, parabéns, pois a ausência da marca Brasil nos supermercados e casas de alimentos era uma constante. E fui ver os preços. O quilo do papaia brasileiro Eur 10,50 e do “avocado tropical do Brasil” Eur 12,45. Ao câmbio de R$ 5,53 um quilo do nosso mamão saindo por R$ 58,00 e o avocado por quase R$ 69,00.

Do outro lado, a indústria de vinho reclamando e pedindo ajuda ao governo francês, pois o consumo per capita do vinho na França caiu de 130 litros por habitante/ano, há 70 anos atrás, para uma média de 40 litros hoje, como registrou o Estadão no sábado passado (ressaca econômica). Fui ver preços dos vinhos por aqui e encontro ótimos vinhos a partir de Eur 4.00 a garrafa. Ou seja, está muito mais barato tomar vinhos franceses do que comer mamão e abacate brasileiros na França.

Com certeza, a indústria do vinho francês precisa repensar suas estratégias de marketing, e o setor de frutas nacionais, que tem feito esforços positivos via a Abrafrutas e seu presidente Guilherme Coelho, participando neste momento da maior feira de frutas do mundo com cerca de 60 expositores do Brasil, na Alemanha, está no caminho certo.

Então eu diria: “temos oportunidades imensas para o setor de frutas do Brasil e, sem dúvida alguma, com escala e competência de vendas podemos dominar os supermercados do mundo, e com preços bem mais acessíveis do que encontrei nesta casa francesa na cidade de Nantes, França”.

Estamos vendendo mais frutas, superamos U$ 1 bilhão ano passado, e temos muito pela frente. Abrir mercado com preços acessíveis aos consumidores mundiais. Trabalho fundamental nos pontos de vendas.

Au revoir, direto de Nantes França. Desejo sucesso a Abrafrutas e Apex na Alemanha.

José Luiz Tejon para o Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Conversei com Ivan Wedekin, que foi secretário de política agrícola ao lado do ministro Roberto Rodrigues no primeiro governo Lula e que instituiu pilares importantes e até hoje mantidos e reforçados ao longo dos governos.
O Brasil assumiu uma meta, no acordo de Paris, de recuperar até 2030 12 milhões de hectares de florestas. O Instituto Escolhas, através da Patrícia Pinheiro, gerente de projetos do Escolhas afirma que isso irá gerar 156 milhões de toneladas de alimentos.
Conversei com Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), sobre recursos para manter a fundamental Fazenda Santa Elisa do Instituto Agronômico do Café (IAC) que responde por 90% das variedades de café produzidos no país e que corre o risco de ser desativada e o setor cafeeiro irá ser prejudicado.
João Martins obteve uma vitória exemplar como líder representante das produtoras e produtores agropecuários do Brasil. A CNA representa quase 2 mil sindicatos rurais patronais de todo território nacional e 27 federações estaduais que, reunidas através de seus presidentes em Brasília no último dia 14, o recolocaram no cargo para o quadriênio 2021/25.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite