CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Estado de São Paulo e o biomovimento do combustível do futuro

Publicado em 21/03/2025

Divulgação
Tirso Meirelles, presidente da FAESP e Senar

O Estado de São Paulo é um estado biomovido, movido ao combustível do futuro. Sobre isso conversei com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) e Senar, Tirso Meirelles, sobre essa coisa que é fascinante, o Brasil colocado no combustível para o futuro, a nova energia, um movimento extraordinário.

Perguntei ao Tirso Meirelles como está o Estado de São Paulo nesse aspecto do biomovimento e todas as alternativas limpas de bioenergia e ele me respondeu: “São Paulo é uma diversidade muito grande. Em 1950 nós tivemos uma pessoa que morou aqui com uma mente inovadora, que era o Francisco Matarazzo. Em 1950 ele fez o nosso primeiro biodiesel aqui em nosso país e em São Paulo ele tinha grandes engenheiros para trabalhar nesse sentido, grandes pesquisadores e foi a base do café. Então realmente foi uma inovação muito grande e naquela ocasião para o Governo interessava incentivar isso. Mas nós tivemos uma crise muito grande em 1970, poucas pessoas lembrar disso, mas o barril do petróleo custava US$ 2,30 e da noite para o dia, pela amarração que os Emirados Árabes fizeram, o barril do petróleo passou para US$ 40,30. Então explodiu a economia e a inflação brasileira, foi um momento muito difícil e complexo. Nesse momento o Governo mesmo não tendo muito recurso tomou duas posições importantes: ele fez a Embrapa que veio dos modelos do IAC, que já estava o IAC trabalhando em pesquisa, mas foi muito mais agressivo porque mandou os pesquisadores brasileiros para o mundo conhecer o que estava acontecendo e fez o Próalcool, que foi uma novidade muito grande naquele momento, foi muito difícil, eu lembro que foi criado aqui na federação naquela época o Grupo Executivo do Programa Estadual (GEPED) para que pudesse liberar as áreas que não fosse de cultura para a cana. Porque da cultura tinha de preservar a alimentação para a sociedade. Então foi uma coisa muito bem feita e ali se recuperou muita pastagem degradada naquela ocasião. Então a cana, ao entrar, ela também fez uma sustentabilidade naquele momento muito grande e aí foi feito o desenvolvimento do carro a álcool, que foi um momento muito importante até a gente culminar com o carro flex, que veio e aconteceu todo esse processo. Nesses 50 anos que nós estamos falando nós exportávamos só café e açúcar. Hoje nós somos os maiores exportadores do agronegócio do mundo e nesse período nós reduzimos 43% da cesta básica e conseguimos consolidar a matriz energética muito grande. Hoje a matriz energética no Brasil é 49% renovável, que são energias que não criam poluição. No mundo é 13% e agora, no ano passado, foi consolidado o biocombustível do futuro, e isso foi muito importante porque éramos para nós termos elevado o biodiesel há muito tempo. Eu lembro que o Dr. Fábio, que é o nosso presidente emérito da FAESP no primeiro ano do Lula, ele reuniu 11 ministros e o Dr. Fábio foi fazer uma palestra para falar da importância do biodiesel e que conseguiríamos equalizar o Brasil todo, produzir o biodiesel, principalmente os pequenos e os médios, com condições de receita para que eles pudessem manter a atividade, mas o Governo naquela ocasião não entendeu. Hoje nós estamos chegando a B12. Era para nós estarmos no B20, B25. E com o biocombustível do futuro nós podemos chegar até o B50. Você pega, por exemplo, o Grupo Maggi, do Mato Grosso, ele comprou praticamente 400 unidades de caminhões, todos eles são 100% biodiesel, produzidos combustíveis renováveis. Então isso é muito gigante para o mundo o que nós estamos falando e isso é muito importante. Nós fizemos aqui uma parceria no Estado de São Paulo no ano passado, com o Governo Tarcísio, a USP e a Toyota do biometano, do processo dos ônibus. Hoje você tem ônibus na Cidade Universitária andando com biometano. Então isso é uma revolução muito grande, o que está acontecendo. E sem dúvida nenhuma nós estamos na segunda e terceira geração do álcool, onde nós estamos utilizando todo o processo melhor possível do álcool para que possamos fazer, inclusive, o nitrogênio verde, à base do álcool e isso é fantástico. Com toda a problemática de falta de energia no mundo, nós seremos um grande exportador de nitrogênio à base do álcool. Então essa evolução que está acontecendo é um trabalho que vem sendo feito há mais de 50 anos. Mas o mundo não reconhece todo o esforço. Para você ter uma ideia, na época em que nós misturamos álcool com a gasolina, nós tiramos o chumbo da atmosfera porque naquela época você tinha o chumbo que vinha da gasolina e quando você misturava você diminuía a quantidade de chumbo. Você imagina quantas toneladas de chumbo nós tiramos da atmosfera fazendo esse trabalho aqui e o mundo não reconhece. Nós precisamos, sem dúvida nenhuma, fazer a nossa lição, nos aperfeiçoarmos, criar condições para que possamos manter. O mundo por si só vai cuidar da vida dele. Nós temos de fazer a nossa parte e eles vão vir atrás de nós por nossa sustentabilidade, pelo profissionalismo, pela determinação e também por nós termos toda essa praticidade, terra, sol, mão de obra, e maquinários de última geração para fazermos todo o processo. Hoje nós estamos produzindo e utilizando as raízes de nossas pastagens que estão reduzindo o CO2. Estamos fazendo em Ribeirão Preto o Centro de Inovação da Cana-de-Açúcar que já iniciou a construção é o biogás, para que nós possamos ajudar os pequenos e os médios produtores a se juntarem e usar aquele material e dividir para todos eles. Por isso o arranjo produtivo local é muito importante porque se associa todo esse processo. E aí você fortalece e diminui os custos, criando as condições de emprego e renda tão importantes para a nossa sociedade”.

Perguntei se o arranjo produtivo seria uma integração da ciência, agroindústria, agricultura, biogás, bioenergia, consumidor e supermercados e ele disse: “exatamente. Quando fazemos o arranjo produtivo local para que possamos fazer essa integração nós vamos fazer por meio de cooperativas, que têm uma ação social muito importante. Eu até falei com o Márcio Freitas, presidente da OCB, e ele ficou muito satisfeito com isso, porque ele tem 4.700 cooperativas coligadas na OCB, apenas 1.500 é do agro, o restante é da saúde, da construção e nós vamos fortalecer esse elo importante do cooperativismo. Hoje nós temos cooperativas de crédito, tem todo um apanhado importante para o fortalecimento de todo esse processo”.

Muito bom presidente Tirso e em uma entrevista que fizemos você mencionava a importância da agricultura local no Estado de São Paulo, e o Márcio Lopes me disse que a cidade que tem o maior número de cooperativas é a cidade de São Paulo, cooperativas de trabalho, de educação, etc. Então essa visão do biocombustível para a nossa megalópole é importante.

“No período da pandemia nós fizemos uma ação muito interessante. Os produtores que produziam alimento em Ubatuba subiam para vender os seus produtos em São José dos Campos e então subia os compradores de bares, restaurantes e hotéis e voltava para lá mesmo. Aí nós fizemos uma ferramenta digital e interligamos aqueles produtores com uma base de compra e aqueles que não tinham o produto nós incentivamos aqueles produtores para fazer. Então essa logística hoje com todo o implemento tecnológico, e por isso que existe o comprometimento do governador Tarcísio de levar a conectividade para todas as propriedades rurais, não na sede, mas em toda a área da propriedade para que nós possamos levar tecnologia sustentável para o pequeno e médio produtor”.

Sem dúvida alguma é uma revolução inovativa, espetacular e integrada.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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