CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Guerra comercial estilo Trump “é briga de faca na rua, bom ficar longe”, afirma Pedro de Camargo Neto

Publicado em 14/03/2025

Divulgação
Pedro de Camargo Neto, único brasileiro citado no livro americano “Food Citizenship”

Sobre as “trumpalhices” do atual governo dos Estados Unidos, a maior economia do planeta, conversamos com um brasileiro que teve uma experiência única numa ação contenciosa com os EUA na Organização Mundial do Comércio na questão do algodão, e saímos vitoriosos, é o Pedro de Camargo Neto que foi presidente da Sociedade Rural Brasileira, presidente da Fundepec,  agricultor, pecuarista, foi secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura,  e o único brasileiro citado no livro americano “Food Citizenship”,  alimento e cidadania numa era de desconfianças.

E falando então desta era de desconfianças acelerada por Trump nestes exatos instantes, Pedro de Camargo Neto me disse:

“Falar de comércio internacional hoje está difícil, porque está uma confusão inacreditável. Está difícil entender o que vai ser amanhã ou depois de amanhã. No pós-guerra houve uma compreensão de que era importante organizar o comércio, ter regras, foi constituído o GAT, liderado pelos Estados Unidos, o Brasil assinou desde o primeiro dia. Regras de comércio para você ter a tranquilidade em produzir, embarcar, receber, plantar, colher, entregar e você sabe qual é o resultado que você vai receber, a tarifa que você vai pagar lá no final, não pode aumentar a tarifa, não pode subsidiar. Regras de comércio evoluiu para a OMC, o Brasil sempre participando, liderando pelos Estados Unidos, depois em 2001 entrou a China. A China já era uma potência e os Estados Unidos fez um esforço para colocar a China dentro da OMC, facilitar a vida da China para eles entrarem, porque a China não é uma economia em desenvolvimento, mas entrou assim. Não é uma economia de mercado, mas entrou assim e está lá. Passados 10, 15 anos, os Estados Unidos começou a ter problema porque a China cresceu muito mais do que todos esperavam e se sentiu prejudicado e, a meu ver, se enganou e a maneira de você corrigir esse erro da entrada da China na OMC era em Genebra. Em Genebra que você precisava contestar a China, provar o que ela estava fazendo de errado, que ela não estava seguindo, que não é mais um país em desenvolvimento, mas ele não se interessou, de costas para a OMC, foi resolver de forma bilateral com a China, o Trump já no primeiro mandato começou a guerra comercial com a China. Não deu certo, passo o mandato e não conseguiu enquadrar a China e agora nesse segundo mandato ele começou, e não é com a China mais, é com todo mundo. Ele simplesmente pegou o livro de regras, rasgou, jogou fora e é Canadá, México, Europa, China, não tem mais regra de comércio, é briga comercial. E isso é muito negativo para o Brasil porque o Brasil é um país que precisa de regra. Nós somos grandes, mas não somos grandes o suficiente para ganhar brigas e briga nunca é bom. Mas hoje nós temos que ficar quietos na América do Sul, ficar em nosso canto e deixar essa briga de foice, de rua, que está ocorrendo lá. Briga de foice, na rua, você olha de longe. Você não vai dar palpite, não toma lado, não vai olhar de perto. Você fica longe porque briga de faca é distância. Espero que o Governo brasileiro tenha essa calma, de ficar aqui em nosso canto e não chegar perto dessa briga. Vamos produzir, trabalhar, a população mundial precisa se alimentar e nós temos produto bom e barato”.

Então, briga de faca na rua, o conselho é não chegar perto, a orientação deste líder experiente é focarmos no que precisa ser feito nas nossas relações comerciais e também vejo oportunidades latino-americanas, com Oriente Médio, toda Ásia, África e com a própria Europa, além de abertura de novos mercados para novos produtos brasileiros na própria China, como frutas, pescado, café, e por que não os já extraordinários vinhos nacionais? E de olho nos “terroir tropicais”.

E também vejo um resgate da Organização Mundial do Comércio (OMC). Trump está conseguindo um feito: unir o mundo contra os Estados Unidos.

Encontrei Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, que antes das trampalhices esperava queda no preço da soja. Após Trump, ele não crê na queda dos preços da soja. E me disse: “pior não fica e eu diria há grandes chances das commodities estratégicas subirem de preço, como sempre ocorre em momentos de incertezas e de desconfiança”.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Brasil Agribusiness será um “hub” integrando e conectando todo agronegócio do país na cidade de São Paulo no mês de junho do ano que vem, no São Paulo Expo Imigrantes. Todas as cadeias produtivas com os elos do antes, dentro e pós-porteira das fazendas estarão apresentando ao mundo as realidades e os potenciais desse macro setor do complexo do agribusiness que impacta diretamente 30% da economia do país e 100% da população brasileira.
“O Brasil tem uma oportunidade gigantesca de produzir biogás, biometano. São volumes equivalentes a quatro vezes o Gasoduto Brasil-Bolívia".
COP-30 vem aí e crédito de carbono, como isso funciona? Tem muita gente que fala, uns não acreditam, outros já estão fazendo. Estou com Tirso Meirelles, presidente da FAESP – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Senar. Perguntei a ele sobre qual é a realidade do mercado de carbono e para onde vamos.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) soltou um report com uma previsão de safra de soja no Brasil na casa de 134 milhões de toneladas, menor do que a Conab, que previu 139 milhões, e bem menos das previsões originais antes dos fatores climáticos que eram de 144 milhões de toneladas no boletim de dezembro 2021.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite