CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Maior cliente brasileiro do agro, China cria estímulo vigoroso econômico que impactou Ibovespa em + 1,22%

Publicado em 25/09/2024

Divulgação
China multiplica seu PIB, chegando na casa de US$ 18 trilhões anuais.

A relação do desenvolvimento brasileiro em paralelo ao crescimento do maior mercado mundial para alimentos, a China, é notório. Há 50 anos a China tinha um PIB inferior ao brasileiro e o Brasil era importador de alimentos.

O Brasil fez uma autêntica revolução criativa tropical, o agronegócio, e a China multiplicou seu PIB, chegando na casa de US$ 18 trilhões anuais, a 2ª maior economia do mundo, e se transformou no maior produtor e importador de alimentos do planeta.

O Brasil significa aproximadamente 18% a 20% da dependência chinesa brasileira no agro. O Brasil vende de 38% a 40% do agro para a China, e isso envolve fortemente oito produtos: açúcar, algodão, celulose, carnes (frango, suína e bovina), milho e soja.

O pacote lançado pela China agora que impactou o Ibovespa e terá consequência no mercado das commodities, vai injetar na 2ª maior economia do planeta um forte estímulo na construção imobiliária, cortes nas taxas de hipotecas e apoio para a compra da “2ª casa”. Este plano é considerado o mais agressivo pós-pandemia COVID-19.

Dessa forma, podemos e devemos buscar vendas de novos produtos para diminuir a dependência dos oito que significam 38% das nossas vendas. O café, por exemplo, o suco de laranja, frutas, óleo de soja, de amendoim, lácteos, pescados e, sem dúvida, um importantíssimo para a atração de investimentos chineses objetivando a sustentabilidade do agro nacional, para o mercado de carbono e biocombustíveis.

A China tem como meta zerar a emissão de carbono até 2060. O Brasil é um gigante do Ocidente que tem relações gigantescas com o Oriente. China maior cliente, a Ásia além da China o 2º maior cliente, a Europa inteira na 3ª posição, mas em seguida o Oriente Médio e o mercado Halal, muçulmano, vem na 4ª posição e com potencial também gigantesco para dobrar de tamanho.

Ou seja, o Brasil com seu agronegócio tem todas as condições de desenvolver fortemente o seu PIB com um plano estratégico, com diplomacia comercial, e acelerando o projeto de conversão de 40 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas em cultivos sustentáveis.

E com um diálogo mundial bem distante das polarizações isso fará muito mais bem para o Brasil e o mundo do que arroubos ideológicos nos discursos mediáticos. A paz brasileira para o mundo está nos alimentos, energia sustentável, meio ambiente, cooperativismo exemplar e missão com o cinturão tropical do planeta.

A mudança climática veio para nos obrigar a busca de unir o planeta, e a COP-30, no Pará, é uma grande oportunidade histórica para o Brasil. Só depende de nós. Podemos produzir, vender muito mais e tudo isso com ciência e sustentabilidade. É Agroconsciente.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Dia da queda da Bastilha na França, 14 de julho, e também dia do nascimento do criador do conceito de agronegócio no Brasil, Ney Bittencourt de Araújo, in memorian
Conversei com Pedro de Camargo Neto, um líder com reconhecida experiência e sabedoria do agronegócio brasileiro, sobre dentre todos os temas que poderíamos considerar vitais, fundamentais, estratégicos, essenciais, se fôssemos eleger apenas um, e concluímos que esse tema é a segurança genética do país, num ambiente tropical face às mudanças climáticas.
A Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas e o Copernicus, da União Europeia, divulgaram alertas voltados à saúde, economia e as geleiras. O estudo aponta para uma temperatura europeia atual 2,3 graus centígrados maior do que no período pré-industrial, enquanto no mundo o crescimento da temperatura foi de 1,3 graus centígrados.  Esse relatório estabelece um alerta vermelho, de que o mundo não tem feito o que precisaria ser feito para a luta anti-aquecimento planetário.
A letra do hino da república é muito estimulante e esperançosa, seu refrão diz: “liberdade, liberdade abre as asas sobre nós“, e apesar de existir muito para ser feito na libertação das regulações envolvendo a nova era do carbono, com os 3 F’s: forests, food, finance, o Brasil volta de Glasgow, como cantavam os soldados brasileiros da força expedicionária que libertou regiões italianas dos nazistas: “por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra sem que volte para lá... sem que leve por divisa esse V que simboliza a vitória que virá...”
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite