CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Mundo árabe confia no Brasil e podemos quase dobrar o comércio Halal nos próximos anos”, Rubens Hannun.

Publicado em 12/02/2025

Divulgação
Lançamento

Estou aqui hoje em um momento muito especial no lançamento de um livro muito importante neste nosso mundo de guerras comerciais: “Brasil e Mundo Árabe”, aqui na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, escrito por seu ex-presidente, atual conselheiro de Administração e Orientação da mesma câmara, e cônsul da Tunísia, Rubens Hannun.

Perguntei a ele sobre as perspectivas do Brasil para vender muito mais ao mundo árabe e pedi para que ele me falasse sobre o livro. E ele me respondeu:

“Nós temos um potencial extremamente positivo com o mundo árabe. Nesse momento esse potencial cresce e por que ele cresce? Porque nós temos uma relação com os países árabes de muita confiança. Eles confiam muito no Brasil e o Brasil se dá muito bem com os países árabes. Nós temos uma população aqui de 12 milhões de árabes. Então tudo isso faz diferença e essa relação faz diferença e aí nós podemos expandir isso para o mercado halal que hoje nós já somos o principal exportador de proteína halal, mas nós temos muito a diversificar nisso, não só em alimentos, mas como em outros setores. Você tem cosméticos halal, você tem turismo halal, você tem moda halal, você tem uma série de setores que podem ser beneficiados com isso e que eles estão de portas abertas para nos receber. Mas para isso nós precisamos de formação e precisamos saber como nos relacionar com eles respeitando a cultura, tomando cuidado com algumas coisas, privilegiando outras, está tendo uma imagem que nós precisamos cuidar. Então o livro traz um pouco dessa discussão e o propósito dele foi exatamente trazer informações para que a gente possa expandir isso e, principalmente, para trazer reflexões a respeito disso. Tanto que no lançamento nós temos um pequeno painel que é olhando para o futuro. Vamos discutir como é que a gente pode ampliar isso e nós estamos em um momento em que esse potencial se multiplica”.

Então perguntei a ele se acredita que esse momento em que o país está passando é uma oportunidade e ele disse:

“Eu acho que sim, oportunidade para os nossos bons relacionamentos, para aquilo que a gente já construir, para a gente não só sedimentar, mas como cristalizar isso que nós construímos, porque com o mundo árabe a gente goza dessa confiança. Eles acreditam no Brasil. Nós fomos muito fiéis a eles na pandemia, em termos de mantermos as exportações e produtos agrícolas e de alimentos quando o mundo estava se fechando para isso. Eles têm uma preocupação com a segurança alimentar porque eles têm a produção muito baixa. O Brasil manteve as exportações para lá, deu preferência para eles. Então nós temos todo esse crédito e em um momento como esse, nós podemos avançar muito. Mas para isso nós temos de trabalhar e não só ficar esperando não!”

O questionei sobre dobrar o tamanho do comércio em 4 ou 5 anos e se ele teria alguma meta. Ele respondeu:

“Por exemplo, no ano passado, nós crescemos 22%. Então isso pode crescer a ponto de dobrar em 4 ou 5 anos, é um pouco de futurologismo, mas eu acho que chegamos perto. Se a gente fizer um planejamento estratégico e de imagem e marca Brasil, a gente chega”.

Eu recomendo a todos ler “Brasil e o mundo árabe”, do Rubens Hannun, uma pessoa de uma experiência gigantesca nesse tema, que considero significativamente importante para o país nesse momento e como o Rubens aqui disse: não sei se dobramos, mas podemos chegar perto nas relações e ele acrescentou: “temos uma relação de confiança com o mundo árabe”. E aí o agronegócio halal, que é uma especificidade, e especificação é importantíssimo para esse mercado e pelo que eu também sei crescendo muito em mercados consumidores não árabes. Pessoas querendo a comida halal que é preparada para outros fins que não é só o mundo árabe.

E Rubens acrescentou: “Sim, o Brasil é especialista em halal, isso é considerado por eles. Nós somos especialistas, da proteína halal para o mundo e halal está virando um estilo de vida. Hoje você tem populações não islâmicas procurando halal, porque vê os benefícios do produto. Então não tem nada de religioso, já ultrapassou isso. Então realmente na Europa você tem supermercados que tem nichos de produtos halal e a tendência é crescer muito”.

E que o livro “Brasil e o Mundo Árabe” seja um grande sucesso.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

 

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