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José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - O invisível é a riqueza do futuro: algas marinhas, o novo agronegócio brasileiro

Publicado em 25/05/2025

Divulgação
José Luiz Tejon painelista do Agro Sea e Rio + Agro 2025

Em um momento em que o mundo busca respostas urgentes para os desafios climáticos, energéticos e produtivos do século XXI, o Brasil começa a enxergar no oceano uma de suas maiores oportunidades estratégicas. Mais precisamente, nas algas marinhas.

Espécies como Lithothamnium, Kappaphycus e Asparagopsis estão no centro de pesquisas e soluções que conectam solo, planta e ar, regenerando terras degradadas, fertilizando culturas de forma natural e reduzindo drasticamente as emissões de metano na pecuária. É a partir desse potencial multifacetado que o Agro Sea e Rio + Agro 2025, realizado na última terça-feira no Rio de Janeiro, lançou um novo olhar sobre a economia azul brasileira.

Com a COP 30 no radar, a aposta é no conhecimento científico e no diálogo entre investidores, produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas para transformar o mar em uma força aliada da sustentabilidade, da segurança alimentar e da transição energética.

O evento contou com a presença de pesquisadores da Embrapa Solos, Embrapa Pesca e Aquicultura, professores, biólogos, advogados, políticos e sociedade civil. Entre os painelistas estavam o jornalista e publicitário, José Luiz Tejon, o CEO do Orfeu Cafés Especiais, Ricardo Madureira, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), Simon Riess, Aline Lazzarotto da Abiove, Juliana Virginio da CNA/SENAR - RJ, o CEO do AgroSea, Wilson Nigri, entre outros.

Lithothamnium: a revolução vem do solo

Rica em carbonato de cálcio e magnésio, a alga calcária Lithothamnium tem ganhado espaço como corretivo natural de acidez e fonte de minerais em áreas degradadas. Segundo estudos da Embrapa, sua aplicação no solo melhora a estrutura física, capacidade de retenção de água e biodisponibilidade de nutrientes, além de reduzir a dependência de insumos químicos convencionais.

O Brasil possui mais de 140 milhões de hectares de terras degradadas, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o que corresponde a 16,5% do território nacional, e no mundo onde 33% do solo sofre degradação de moderada a alta, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o uso da Lithothamnium representa não apenas uma solução agronômica, mas uma oportunidade social, pois ela promove o retorno de áreas improdutivas à atividade agrícola, gerando renda e segurança alimentar.

Kappaphycus: nutrição para as plantas, saúde para o planeta

Já a Kappaphycus Alvarezii, uma alga vermelha amplamente cultivada em regiões tropicais, tem se destacado na produção de biofertilizantes naturais ricos em potássio, nitrogênio e fitohormônios. Sua ação estimula o crescimento vegetal, aumenta a resistência a pragas e melhora a produtividade sem agredir o meio ambiente.

Em comparação com fertilizantes sintéticos, o biofertilizante à base de Kappaphycus emite até 80% menos gases de efeito estufa, de acordo com uma pesquisa do Instituto Oceanográfico da USP. Além disso, sua cadeia produtiva é de baixo custo, alta empregabilidade local e adaptável à agricultura familiar costeira, reforçando o tripé da sustentabilidade: econômico, ambiental e social.

Asparagopsis: o corte radical no metano entérico

Mas talvez nenhuma alga tenha causado tanto impacto recente quanto a Asparagopsis Taxiformis. Seu uso como aditivo alimentar para ruminantes reduz em até 90% a emissão de metano entérico, um dos gases mais potentes em termos de efeito estufa, segundo pesquisas da Universidade de Queensland, na Austrália.

Com o Brasil sendo o maior exportador de carne bovina do mundo, a incorporação dessa tecnologia no rebanho nacional tem potencial de transformar a pegada climática da pecuária e posicionar o país como líder em carne de baixo carbono, um diferencial competitivo crucial no mercado internacional, especialmente diante das exigências ambientais da União Europeia.

O mar como aliado climático, energético e financeiro

As algas também despontam como biomassa para produção de energia renovável, como bioetanol e biogás, além de oferecerem matérias-primas para cosméticos, fármacos e embalagens biodegradáveis. São uma resposta sistêmica e integrada às principais dores do planeta: energia limpa, segurança alimentar e redução das emissões.

“As algas são a nossa nova soja brasileira; são produtos que irão superar a dimensão que a soja atingiu em âmbito agroindustrial, se olharmos uma década adiante”, defende José Luiz Tejon, jornalista, publicitário e estrategista do agro, ao traçar um paralelo com o papel transformador que o grão teve na economia e na indústria nacional nas últimas décadas. Para ele, o desafio agora é escalar essas soluções com apoio de governança, academia e mercado de capitais. "As algas marinhas precisam sair dos laboratórios e dos mares e ganhar os campos e a comunicação planetária com velocidade”.

Da ECO 92 à COP 30: uma jornada de compromisso

Sob o lema “Amigos do Meio Ambiente desde a ECO 92”, o AgroSea e Rio + Agro reforçaram o papel estratégico do Brasil na governança climática global. Como lembrou a professora e consultora Cácia Pimentel, "a transição só será justa se responder à pergunta fundamental: quem paga por isso?". E a resposta, segundo os organizadores, está em uma aliança entre ciência, governança e capital de impacto.

“A primeira coisa é reconhecer que a agricultura brasileira é uma potência mundial. A gente é uma vasta maioria de agricultores brasileiros que fazem um trabalho muito bom e querem fazer um trabalho sério e com relevância na parte de sustentabilidade”, afirma Ricardo Madureira, CEO do Orfeu Cafés Especiais. Para ele, soluções como o uso de algas marinhas na regeneração do solo, na nutrição das plantas e na redução de emissões são exemplos claros de como o Brasil pode liderar uma agricultura inovadora, responsável e integrada à agenda climática global.

Simon Riess, CEO do Laticínios Oro Bianco, empresa familiar produtora de muzzarela de búfala e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos está iniciando Provas de Conceito em seus piquetes na expectativa de encontrar mais Cálcio em seus produtos lácteos e colocar mais animais por unidade de área em sua criação a pasto.

O AgroSea está oferecendo a oportunidade de obtenção de ROI mais elevado aos investidores que assumirem o risco de inovar. Também está à disposição de grandes players do agronegócio para firmar acordos e realizar Provas de Conceito, etapa que antecede a decisão de investimento, pois há muito a ser feito até o próximo debate, que acontecerá no dia 09 de setembro em Brasília.

“Com 71% da superfície do planeta coberta pelos oceanos, não há mais como pensar em clima sem incluir o mar, nem em agricultura sem olhar para além da terra firme. O Brasil tem, nas algas, não apenas uma nova aliada, mas uma causa, um mercado e uma missão”, afirma Wilson Nigri, CEO da AgroSea, destacando o papel estratégico das algas marinhas no avanço da economia azul brasileira.

No Rio de Janeiro foi o SEBRAE quem apoiou o AgroSea junto com o Banco do Brasil. Fizeram eles a abertura com a presença do Antonio Alvarenga e do Roberto Alves Ferreira mostrando que há espaço para MEIs e PMEs, Crédito Rural e Seguro Rural dentre tantos produtos financeiros e gerenciais para empreendedores do agronegócio marinho. O encerramento foi feito pelo, Carlos Favoreto, presidente do Rio+Agro, que selou os debates assumindo o protagonismo na propagação dessa riqueza invisível juntamente com Paulo Protasio, parceiro das duas organizações. Para Brasília as oportunidades de terem seus nomes associados à COP 30, cobrindo o amplo espectro socioambiental, estão em aberto.

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