CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - OMC vai renascer e que uma OBC, Organização Brasileira do Comércio nasça já.

Publicado em 25/07/2025

Divulgação
Organização Mundial do Comércio

Negócios, negócios e governos fazem parte. As relações hoje das cadeias de suprimentos têm uma gigantesca interdependência pois resultam de algo absolutamente natural, as vocações e os talentos diferenciados de cada geografia econômica e sociológica.

Neste exato momento o tarifaço de Trump sobre o Brasil cria um potencial conflito dentro do próprio Estados Unidos. O setor industrial, comercial e de serviços norte-americano tem no seu plano tático e estratégico a necessidade de suprimentos do Brasil. Esses suprimentos não são mais simplesmente o antigo conceito das “commodities”, que viessem de onde viessem.

O Brasil desenvolveu nos últimos 50 anos uma verdadeira revolução de originação agropecuária, com tecnologia, qualidade, custo, e dentro de exigências dos compliance ESG dos seus clientes, os quais não podem mais incluir nas suas linhas de transformação industrial, da sua distribuição e compor suas marcas alimentos, processos energéticos, fibras que não estejam dentro de padrões sustentáveis, e cada vez mais sob rastreabilidade.

Por isso o tarifaço de Trump sobre o Brasil já coloca empresas e associações de categorias empresariais dos Estados Unidos em lobby e ações judiciais contra essa decisão. Explicável. A agregação de valor que ocorre dentro das fronteiras do país norte-americano é gigantescamente maior, como exemplifica o Cecafé Conselho de Exportadores de Café, para cada dólar importado, 43 dólares são gerados e agregados nos Estados Unidos, significa empregos, impostos e muito mais, são companhias que exportam para o mundo inteiro, com impactos também nas pequenas e médias empresas de uma rede, no caso de multinacionais, de centenas de países clientes e de consumidores.

As divisões de interesses dentro do próprio Estados Unidos hoje coloca, por exemplo, setores das carnes norte-americanas a favor do tarifaço e de expulsar fornecedores externos que tenham qualidade e custos competitivos, além de ambientais comprovados e assegurados, como o caso do Brasil. Porém isso não agrada nada ao setor do antes e pós-porteira das fazendas do próprio Estados Unidos, por uma razão também simples e óbvia, as organizações americanas de insumos, máquinas e tecnologias são vendedoras para o mundo, onde o mundo desenvolve produção agropecuária moderna. E os setores do pós-porteira das fazendas americanas para crescer e vender mais para consumidores locais e mundiais precisam de matérias primas originadas, não mais venham de onde vierem, mas certificadas e dentro das exigências ambientais, e sociais, além da qualidade e dos custos brasileiros muito competitivos.

Por isso, o café, o suco de laranja, o fumo, as fibras para celulose, as carnes, o pescado, as frutas tropicais, aquilo onde o Brasil se especializou no cinturão tropical do planeta, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, com ciência e tecnologia criada e adaptada,  com produtores rurais  únicos nessa ambiência tropical, por institutos agronômicos, universidades, Embrapa, cooperativas e empreendedores, não podem ser simplesmente tiradas e jogadas fora de um sistema moderno de “supply chain” na base dos humores de um governante.

O setor empresarial vai chiar, vai judicializar e iremos construir uma nova ordem da OMC Organização Mundial do Comércio, onde negociantes e governantes precisarão estar acima de futebol, religião e política, quer dizer, muito mais razão do que egos e seus humores emocionais expliquem.

Para o Brasil, a curto prazo, que o vice-presidente Geraldo Alckmin reúna a sociedade civil organizada e os interesses brasileiros ao lado dos norte-americanos.

Que o presidente Lula tenha uma visão de estadista e se ponha acima de ideologias, que já morreram, e que as lideranças empresariais aproveitem para se unirem com planos estratégicos integrados e objetivos comuns.

Acabei de receber um ofício assinado, por exemplo, por todas as entidades do complexo do agronegócio brasileiro, desde o A da Abag até o U da Única, endereçada ao presidente da República a respeito da sanção integral do projeto de lei nº 2.159/2021 que estabelece a lei geral de licenciamento ambiental já aprovada no Congresso, com mais de 20 anos de debate.

Exemplos dessa união dos setores produtivos do antes, dentro e pós-porteiras do complexo agroindustrial do Brasil precisariam ser presentes e muito mais constantes para fins de negócios com o mundo, logística, recursos financeiros, cooperação, comunicação, ou seja, criarmos dentro do Brasil uma Organização Brasileira do Comércio, reunindo e integrando setores públicos e privados, com a ciência e a educação.

Sobre a OMC, uma nova ordem mundial sem dúvida irá ocorrer, por razões óbvias, não existirá condições de desenvolvimento para nação alguma fora do comércio. Os blocos econômicos irão se unir, e um deles pronto para isso está na União Europeia com Mercosul.

E encerramos lembrando do que o poeta português Camões escreveu: “quem faz o comércio não faz a guerra” e vamos dobrar o cabo das tormentas tarifeiras e as transformar no cabo da boa esperança de um novo comércio mundial e nacional.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

A Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas e o Copernicus, da União Europeia, divulgaram alertas voltados à saúde, economia e as geleiras. O estudo aponta para uma temperatura europeia atual 2,3 graus centígrados maior do que no período pré-industrial, enquanto no mundo o crescimento da temperatura foi de 1,3 graus centígrados.  Esse relatório estabelece um alerta vermelho, de que o mundo não tem feito o que precisaria ser feito para a luta anti-aquecimento planetário.
O colunista do Estadão Lourival Sant’anna (Página A15, edição de 16/4 - Risco  de dependência assimétrica) escreveu: “comércio e investimentos entre Brasil e China andam sozinhos. No governo Jair Bolsonaro, que tinha relação ruim com a China e atravessou a pandemia, o comércio bilateral cresceu 52%, e os investimentos chineses 79%, e somos o maior destino dos investimentos chineses, 13,6%”. Aproveito aqui tanto a visão da assimetria dos riscos de Lourival Sant’anna quanto o Brasil ser maior do que o buraco de Joelmir Betting, para concluir que o Brasil tem uma força que supera seus governos.
O Fávaro, senador, foi vice-governador do Mato Grosso, é produtor rural e liderou de uma maneira muito positiva a Aprosoja, do Mato Grosso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso, do maior estado produtor de grãos do mundo.
Tivemos em 2025 setores crescentes, mas dois setores que terminam o ano de maneira muito sofrida: o arroz, que chegou a ser o assunto durante as enchentes do Rio Grande do Sul, se transformou em um produto com os preços inferiores ao custo dos agricultores. E o leite que é uma atividade que envolve mais de um milhão de propriedades no Brasil, fundamentalmente pequenas, muitas delas para o consumo próprio, mas com certeza cerca de 700 mil propriedades conectadas ao mercado do leite e o leite termina o ano com um custo por litro produzido no campo de R$ 2,30 e o preço obtido pelos produtores de R$ 2,08.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite