CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Parte de produtores rurais temem governo Lula, mas é o governador Caiado de Goiás que propõe taxação do agro!

Publicado em 09/11/2022

Ronaldo Caiado

Entre listas de comerciantes, indústrias, prestadores de serviços discriminados se não declararem apoio a Bolsonaro, e até ideias de colocar estrelas do PT em estabelecimentos que votaram em Lula, imitando as estrelas de David dos judeus na Alemanha nazista dos anos 1930, estamos vivendo uma hipnose de discriminações onde o medo sobre o novo governo eleito é fantasmagórico por boa parte da agropecuária. Medo de invasões estimuladas, perda do direito de propriedade e total insegurança jurídica e confiscos e taxações, parece o filme Armagedom, Apocalipse.

Mas, porém, todavia, contudo, estava em Goiás quando por ironia do destino, não é nenhum governador petista que está propondo taxar, criar um tributo sobre o agronegócio, segundo as lideranças do agro do estado, com o objetivo de compensar as perdas de arrecadação do corte na alíquota do ICMS dos combustíveis, energia elétrica e comunicações. E reunido com setores do agro o governador Caiado disse que esse tributo seria usado para infraestrutura e estradas.

O governador Ronaldo Caiado, União Brasil, fundador da União Democrática Ruralista (UDR) desde 1980, aliado de Bolsonaro disse que enviará a proposta para ser votada na Assembleia Legislativa do estado de Goiás.

Enquanto isso continua o burburinho sobre nomes ministeriáveis na agricultura, e surgiram além de nomes já mencionados aqui, o deputado Arnaldo Jardim e também Nilson Leitão, atual presidente do Ipa – Instituto Pensar Agro, que reúne dezenas de associações e entidades do antes, dentro e pós porteira das fazendas e assessora a Frente Parlamentar da Agropecuária, dois ótimos nomes na minha opinião, que ajudariam a diminuir esse pânico desesperado de muitos nos campos do país.

Mas que ironia, o governador Caiado, um legítimo ruralista de raiz, vem dele a proposta de taxação do agro, o aspecto mais odiado e considerado perverso pelo setor produtivo agropecuário: taxação. O Brasil está precisando exorcizar o medo, raivas e ódios, nossa divisão interna é nosso inimigo número 1, e não iremos para frente envoltos nessa hipnose de pavor.

O agronegócio no total das suas cadeias produtivas pode dobrar de tamanho nos próximos 10 anos, isso sim deve ser o foco central das discussões do setor, além da inclusão de 4 milhões de pequenos produtores no cooperativismo brasileiro com agroindustrialização, e oportunidades agroambientais como o próprio biometano exemplifica.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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