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José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Por que IA + robos & genética formam o trio sagrado do novo agro?

Publicado em 12/03/2025

Divulgação
Tejon com Emerson Crepaldi, COO da Solinftec.

Estou em um encontro de executivos de cana-de-açúcar em Ribeirão Preto e um item que me chamou muita atenção foi o crescimento da Inteligência Artificial (IA) e de robôs na atividade da cana-de-açúcar.

Conversei com o Emerson Crepaldi, COO da Solinftec, empresa que está desenvolvendo um trabalho de robôs com IA, e uma questão que me apareceu muito importante é: qual é a importância dessa tecnologia para o crescimento da agricultura no mundo e ao mesmo tempo enfrentamento de adversidades climáticas?

Emerson Crepaldi me respondeu que “a robótica e a IA tem grande efeito no posicionamento climático como um todo e, principalmente, na atividade do campo. Por quê? Quando olhamos os robôs em campo, nós temos três grandes fatores que influenciam: primeiro olhando sob o ponto de vista da produtividade os robôs conseguem um trabalho de redução de herbicida, fazem com que as plantas tenham menos gasto metabólico e, consequentemente, elas conseguem aproveitar mais luz, mais nutrientes, mais o efeito de material orgânico e conseguem produzir mais. Nós temos um caso de 8 a 10 sacos a mais de produtividade. Quanto ao ponto de vista de efeito carbono e de uso de defensivo na agricultura nós estamos falando de um agro mais sustentável porque está aplicando 90% menos defensivo; e quando olhamos para o efeito biótico de solo, nós estamos olhando por análise de laboratório que o solo tratado com robôs está tendo muito mais matéria viva, muito mais vida naquele solo do que consequentemente você ter um efeito de retenção de carbono como um todo. Isso trabalha em um efeito cíclico de sustentabilidade. Além disso, você tem robôs medindo a evolução daquela planta centímetro a centímetro, ou seja, fazendo o desenvolvimento do trabalho do desenvolvimento daquela planta acompanhando centímetro a centímetro, milímetro a milímetro o enchimento de nós, de vagens, como um todo e conseguimos ter muitos dados disponíveis para desenvolver novas genéticas adaptadas ao novo clima. Consequentemente temos zonas genéticas de 10, 15 anos, nós conseguimos acelerar esse processo e com isso desenvolver novas plantas para se atenuar o clima diverso”.

O elo com o geneticista para enfrentamento da adversidade climática é fundamental. Perguntei ao Emerson qual a área que vem sendo trabalhada na cana-de-açúcar com a IA e os robôs e ele me respondeu:

“Hoje estamos indo para a quarta safra de soja e milho, primeira safra de algodão, primeira safra completa de cana-de-açúcar aconteceu no ano passado e hoje nós temos mais 280 mil hectares monitorados 100% por robôs, ou seja, fazendas tripuladas por robôs morando em campo e, consequentemente, temos muitos cases de sucesso em diversas áreas do Brasil e dos Estados Unidos”.

Perguntei a ele o que vai acontecer, se haverá uma necessidade de uma juventude estudando tecnologia, robótica, inteligência artificial para trabalhar nas centrais de controle e ele me disse que “existe um grande paradigma intelectual e de educação que precisamos mudar, não só no Brasil, como no mundo todo, que é a questão de mão de obra. Falamos muito de mão de obra no campo, do operador, etc, mas muitas vezes falta a mão de obra hoje do pragueiro, da pessoa que faz o levantamento de pragas, porque ninguém mais quer ficar no sol, e não existe esse ‘cara’ disponível. Só que, consequentemente, com as fazendas mais conectadas, mais evoluídas e gerenciando informações advindas desses dados, você precisa de gente formada em indicadores, você precisa de gente para a tomada de decisões importantes. Então hoje a mão de obra que mais necessita em campo é gente que consiga analisar dados e transformar a informação para a tomada de decisão mais acertiva. Se olharmos na prática, fazendas pequenas, médias e grandes têm uma grande demanda por mão de obra em todos os rincões do Brasil. Então quem quiser realmente trabalhar com agricultura e com a velha agricultura pode trabalhar seja como agrônomo, seja como alguém de genética, de insumos ou defensivos. Ele pode trabalhar com dados e informações que vai ajudar aquela fazenda trabalhar mais. A mesma coisa os operadores ou de qualquer classe. Então a oportunidade hoje é gigante do lado educacional e profissional. Não existe mão de obra em campo e hoje tem uma demanda gigante. Eu costumo dizer que a demanda hoje nas fazendas é muito maior do que nas indústrias. Então é um potencial imenso para todo mundo”.

Na verdade a oportunidade é gigantesca e a tecnologia de precisão precisa de muita gente trabalhando nela. Parabéns Emerson!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

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