CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Safra brasileira 2020/21 sofre com seca e geada e safras não ajudarão na economia e na inflação, como desejaríamos

Publicado em 07/07/2021

Safra 2020.21

A seca atrasou o plantio da soja, que resultou no atraso da safrinha do milho. E agora a geada recente forte no Paraná e São Paulo prejudicam ainda mais o milho, além da cana, café, e das pastagens, com prejuízos para a pecuária de corte e de leite. Por outro lado os preços dos insumos cresceram significativamente em função da lei da oferta e da demanda.

Conversei com Eduardo Monteiro, presidente da Associação Nacional para Difusão do Adubo (ANDA), e ele revelou que 85% do fertilizante para a safra 2021/22, a que começa a ser plantada no segundo semestre deste ano, já está vendido. Existe cerca de 15% ainda disponível, mas com o custo de importação já feito em dólar alto, e mesmo que haja queda da taxa do dólar agora, não irá diminuir o preço do fertilizante. As commodities seguem com preços elevados, mas sempre será incerto o prognóstico de quanto tempo o ciclo de alta pode durar.

E agricultura brasileira é movida a fertilizante, que vem de minas de parte da Nigéria, Bielorrússia, Canadá, sendo que temos uma dependência de 85% de importações. Além de tudo estaremos plantando a próxima safra sob um risco de crise hídrica, seca, o que pode apresentar menor produtividade.

Em síntese, não teremos por parte da agropecuária uma salvação como era esperada, principalmente por uma queda de 15 milhões de toneladas de milho. Isso impacta as exportações e o custo da ração para os setores de aves, suínos e ovos. Estamos importando e as exportações chegam da mesma forma com alto custo. Em 3 décadas o Brasil aumentou em 450% o uso do fertilizante enquanto o mundo cresceu 50%. Os preços no interior do Mato Grosso tem crescido na faixa de 30 a 45% por tonelada de adubo comparado a safra anterior.

Precisamos de uma estratégia, de um planejamento estratégico que permita adentrarmos áreas de pastagens degradadas, boas para alimentos. São algo em torno de 90 milhões de hectares, o dobro do que utilizamos hoje, e podemos produzir ali sem tirar uma árvore sequer. Da mesma forma precisamos de um plano de diminuição da dependência internacional dos fertilizantes, urgente. E como fala o ex-ministro Roberto Rodrigues, seguro rural é fundamental para dar segurança para plantar mais e obtermos segurança alimentar da população. Não teremos superssafra, e a nova safra também não aponta para ser superssafra.

Uma notícia ruim para os cenários da economia e da inflação no biênio 2021/2022. A mensagem aos produtores é muito bom senso, boas práticas agrícolas e pés no chão. E aos consumidores, muita racionalidade e consumo consciente.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Hoje abre o Congresso da ABAG/B3 com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, governador Tarcísio de Freitas e o ministro da Agricultura Carlos Fávaro. Amanhã se inicia o congresso da Andav.
Enquanto aqui na França ao lado de uma juventude internacional no FAM Food & Agribusiness Management, mestrado com diplomação dupla europeia e brasileira, aprendemos sobre as oportunidades existentes nos diversos continentes do planeta, aparece na mídia as invasões de três áreas de cultivo de eucaliptos da Suzano Papel e Celulose na Bahia.
Estou em viagem para a França onde participo, nos últimos 8 anos, todo ano, de um encontro com alunos internacionais. E neste ano estarei com 30 alunos do mundo todo em um programa que objetiva formar gestores de agribusiness, ou seja, é o FAM, Food and Agribusiness Managment, com a faculdade francesa Audencia Business School, na cidade de Nantes (França), e em parceria aqui no Brasil com a FECAP, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado.
A guerra pelas percepções humanas é instrumento vital nas estratégias de poder, negociação e comunicação. A Europa, além de ser a 2ª maior economia do mundo (reunidos todos seus países), é o centro difusor universal de comportamentos e atitudes.  No 8º Congresso Nacional das Mulheres do Agro (CNMA), no Transamérica Expocenter, e com apoio ABAG, o tema central trata de “dobrar o agro de tamanho com sustentabilidade - a marca brasileira”. E para falarmos de “marca” é fundamental ouvirmos distintos stakeholders europeus.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite