CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Sem um plano de ação ficamos defasados da Agenda 2030 e não teremos uma gestão integrada ambiental

Publicado em 06/10/2023

Divulgação
Sonia Chapman, especialista em sustentabilidade e secretária executiva da Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida.

Entrevistei Sonia Chapman, secretária executiva da Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida, uma das maiores especialistas com visão de números da sustentabilidade no país. A atual proposta de regulação do mercado de carbono aprovado pelo Congresso com a agropecuária fora da regulação indica, na verdade, ser impossível ter uma fórmula única para realidades muito distintas, que irão exigir foco regional numa visão sistêmica e integrada de todas as peças desse complexo sistêmico, um lego ambiental brasileiro que exige governança.

 “Na minha experiência profissional em diferentes segmentos, culturas e internacional vejo a necessidade do olhar integrado da gestão, olhando riscos e oportunidades.

Como identificar quem é necessário e como engajar diferentes atores, ao longo da cadeia?

Como aprender uns dos outros, focando no desafio que se apresenta, não no segmento, país ou interesse específico?

O olhar de Ciclo de Vida nos ensina a focar na função de qualquer coisa e a considerar alternativas nesta mesma função

Estas alternativas precisam ser analisadas em condições claras, como fronteiras temporal, geográfica e de tecnologia, nos pilares econômico, ambiental e social, em diversas categorias de impacto – impacto este que pode ser negativo ou positivo.

É, claro, um processo mais completo e complexo de coleta de informações, antes de tomarmos decisões (de consumo ou de investimento).

Por isso é importante fazermos mais perguntas, do que acreditarmos que temos as respostas.

O olhar sistêmico na gestão demanda mais colaboração, empatia, respeito às diferentes opiniões e dados, representativos e confiáveis, para construirmos um Plano de Ação que faça, de fato, a diferença.

Por não estarmos fazendo isso estamos tão defasados em relação às metas da Agenda 2030 e retrocedemos mundialmente ao Índice de Desenvolvimento Humano de 2016.

Lembrando que o IDH é composto por três grandezas: a renda familiar, a expectativa de vida e os anos na escola.

É claro que a pandemia e a guerra da Rússia contra a Ucrânia comprometeu esses fatores enormemente.

Então temos vários ambientes, que reconhecem a importância de uma gestão integrada, uma governança holística:

Os Acordos Setoriais no contexto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que define a responsabilidade compartilhada no ciclo de vida.

A nova Lei de Licitações, de 01.04.2021, que determina que o Governo compre pensando os argumentos de qualquer coisa no ciclo de vida.

As negociações em andamento no Tratado Global dos Plásticos

Linhas de financiamento à inovação, como a Lei do Bem ou o Rota 2030 para o setor Automotivo.

O RenovaBio, o Combustível do Futuro... E tem muito mais!

O que a gente vê é que a Inteligência Artificial pode vir a ajudar na coleta de informações qualificadas; ferramentas gerenciais apóiam a tomada de decisão, e há cada vez mais capacitações em ciclo de vida.

Mas nada disso será suficiente, se não reconhecermos que precisamos mudar a forma como vínhamos extraindo, produzindo, consumindo e desperdiçando recursos, expectativas e talentos”, concluiu Sonia.

Como Sonia Chapman afirmou, “precisamos mudar a forma como extraímos, produzimos, consumimos e desperdiçamos recursos, expectativas e talentos. E por não termos um plano de ação integrado que faça a diferença estamos tão defasados em relação as metas da agenda 2030 e retrocedemos mundialmente ao Índice de Desenvolvimento Humano de 2016.

O lego ambiental brasileiro exige governança de todas as suas peças integradas.  E das cadeias produtivas de regiões homogêneas. Daí, sim, teremos métricas racionais para a regulação do mercado de carbono.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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