CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

O Brasil nunca precisou tanto do espírito cooperativista como agora. Somos Coop!

Publicado em 04/07/2025

Divulgação
Dia Internacional das Cooperativas

Neste sábado (dia 5) celebramos o Dia Internacional do Cooperativismo. E como o Brasil, e o mundo, está precisando da filosofia e do espírito cooperativista para enfrentarmos a divisão, a polarização e a guerra de “vitimizações” que assola o país com uns culpando os outros.

A Organização das Nações Unidas (ONU) determinou 2025 como o Ano Internacional do Cooperativismo. A razão é notória. Para atender os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável planetário o crescimento das cooperativas é fundamental. As estatísticas revelam a superioridade do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) onde existe cooperativismo.

Pedi a um admirado líder cooperativista seu depoimento, o José Antônio Rossato, foi presidente da Coplana, primeira cooperativa de cana do país, e é membro do conselho da OCESP – Organização de Cooperativas do Estado de São Paulo.

“5 de julho, Dia Internacional do Cooperativismo, mas o que é o cooperativismo? Esse movimento surgiu na Inglaterra, na cidade de Rochdale no ano de 1844 e ele começou a partir de uma crise que foi causada pela Revolução Industrial onde as máquinas chegaram, substituíram as pessoas, e estas, sem oportunidades e sem emprego, passaram a buscar na capacidade de cooperarem entre si, de se aglotinarem, acessar de uma forma mais competitiva, mais barata, recursos básicos como, por exemplo, alimentos. Esse movimento deu tão certo que se espalhou pelo mundo, inclusive chegou ao Brasil. Hoje o nosso país tem mais de 4.500 cooperativas e que são as organizações que congregam esses cooperados, são mais de 23 milhões de membros e quase 600 mil empregos que são gerados. As cooperativas acabam desenvolvendo o seu entorno, a comunidade, e muitas dessas cidades têm um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) superior, apenas pela presença da cooperativa fazendo essa geração de renda local. É a máxima de desenvolver pessoas, de desenvolver o social através do econômico e dos negócios. São oito ramos do cooperativismo espalhados no nosso país. É um dia para celebrar a capacidade de juntarmos, cooperarmos e, juntos, fazermos melhor algo que seria impossível ou até desafiador fazermos individualmente. E a inquietude da natureza humana, vida longa ao nosso cooperativismo”.

Reunimos hoje cerca de 27 milhões de associados, com um movimento financeiro na casa de R$ 700 bilhões. Ou seja, o sistema cooperativista reunido nos seus oito setores: agropecuária, crédito, consumo, infraestrutura, saúde, trabalho, transporte e recentemente seguro, representa a maior empresa brasileira, com o maior número de acionistas e donos, pois numa cooperativa os cooperados são associados.

Como curiosidade, o município brasileiro com maior número de cooperativas é a cidade de São Paulo, pois envolve diversos setores como reciclagem, transportes, taxis como vermelho e branco, por exemplo, cooperativas do trabalho, educação, serviços.

O modelo cooperativista nasceu das dificuldades, de momentos duros de sofrimento humano, como na revolução industrial na Inglaterra no ano de 1844, e Rochdale com 30 artesãos desempregados. No Brasil, em 1902, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, com o padre jesuíta Amstad, que criou a primeira cooperativa de crédito.

No agronegócio as cooperativas significam cerca de 55% de tudo o que produzimos, e contam com mais de 1 milhão de agricultores cooperados, 70% da agricultura familiar.

O cooperativismo tem filosofias fortes de educação, de ativar a prosperidade de todos os cooperados, suas famílias e da sociedade no seu entorno. Cooperativismo tem regras exigentes de compliance onde o curto prazo jamais estará à frente da segurança das decisões de longo prazo. Um exemplo de elevada dignidade de reunir seres humanos num sistema social, ambiental e exemplar como democracia.

Os líderes cooperativistas, como menciona um dos mais notáveis líderes do cooperativismo mundial Roberto Rodrigues, que já presidiu a Aliança das Cooperativas Internacional em Bruxelas, e hoje é embaixador do Cooperativismo na FAO, e o organizador do agro para a COP-30, na sua fala: “líderes cooperativistas merecem um Nobel da Paz”.

Em nome do presidente da OCB, Márcio Lopes, e da superintendente da Organização das Cooperativas do Brasil, Tânia Zanella, envio um abraço a todos os líderes das 4.500 cooperativas do Brasil, e que as lideranças políticas se inspirem neles.

Aqui em São Paulo, abraços Edivaldo Del Grande, presidente da OCESP e a todos os presidentes das 1.027 cooperativas paulistas.

Viva o Ano e o Dia Internacional do Cooperativismo. As cooperativas serão do tamanho do Brasil e o Brasil será do tamanho de sua cooperação. Que os líderes políticos sejam cada vez mais “coop”, pois é na cooperação que os justos e a justiça se reúnem.

Somos Coop, por um Brasil Coop!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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