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DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - As esperanças realistas para 2026 no Agroconsciente

Publicado em 02/01/2026

TCAI
Feliz Ano Novo!

Feliz Ano Novo! Ano Novo, esperanças novas, mas que sejam realistas. O paraibano Ariano Suassuna, intelectual, antropólogo, filósofo, escritor escreveu uma ideia maravilhosa dentre muitas: “o otimista é um tolo, o pessimista um chato. Sou um realista esperançoso”.

É dessa maneira que escrevo a minha coluna com a alma e os olhos voltados para as realidades esperançosas de 2026. Em 12 de janeiro está marcada a reunião para decidir a assinatura do acordo União Europeia e Mercosul. Será bom para a Europa, para o mundo, para o Brasil, para países do Mercosul não por uma expectativa otimista, mas simplesmente por ser obviamente um rumo necessário a todas as partes, inclusive aos próprios agricultores europeus que passarão a ter muito mais oportunidades de mercados para os seus ricos alimentos e bebidas originadas nos seus terroir, com denominação de procedência, marcas registradas globalmente como champagne, cognac, Mirabelle Plum, Guérand Salt, tem até sal com marca de terroir. Sem contar que os italianos dominam as mesas do mundo e irão dominar mais ainda, etc.

Portanto tenho a esperança realista da assinatura desse acordo ou pelo menos de um forte encaminhamento positivo por significar uma mudança espetacular nas visões das relações comerciais internacionais. Isto também da mesma forma será para todo o agronegócio brasileiro onde também poderemos ir muito além de mercados com diversificação não apenas das grandes commodities, mas produtos de sabores tropicais únicos, multiplicação do comércio também com os nossos terroir nacionais do A do abacate ao Z do zebu.

Também de forma realista esperançosa o crescimento do mercado do biocombustível em todos os aspectos: biodiesel, etanol, SAF, tudo isso originado de grãos e de fibras que serão desenvolvidas para esses fins, desde o trigo até a macaúba, modelos agroflorestais, o arroz, e dentro da recuperação de áreas degradadas do país, mas ao lado dos setores empresariais, agroindustriais, cooperativistas, agregando valor. O biogás transformando lixo em riquezas na economia circular e dando a toda produção de alimentos no país um selo de sustentabilidade. Na transformação de dejetos em produtos para o mercado de carbono, além de biofertilizantes, eletricidade, bioinsumos, biometano, etc.

O PIB do complexo do agronegócio no Brasil atinge a casa de cerca de 30% do PIB total. Ao olharmos com uma noção mínima de planejamento estratégico podemos constatar racionalmente que temos a efetiva chance de dobrar de tamanho nos próximos 12 anos. E isso não é otimista tolo, ao contrário, é realismo racional.

O Brasil nos últimos 40 anos assumiu uma percepção de potência de segurança alimentar, energética e ambiental do planeta e esse patamar atingido não pode mais não ser percebido. Na COP-30, na Agrizone, um trabalho espetacular da Embrapa, do enviado agro Roberto Rodrigues, reunindo todas as entidades do país, do antes, dentro e pós-porteira das fazendas gerou um documento e um show de realidades, colocando o Brasil como coração agro tropical planetário. Uma solução global, e a FAO, órgão da ONU, decidiu criar um Centro Tropical Mundial com base no que viu na COP-30 aqui no Brasil.

Temos muito para fazer, sim, temos muito para consertar, sim, muito problema para superar, sim, porém para 2026 que as realidades esperançosas superem e muito apenas sonhos otimistas, quanto tanto superem negacionismos, pessimistas, a vitimização. Colocar a culpa nos outros e apontar culpados é a única estratégia que não interessa aos realistas esperançosos. São estratégias de polarização, de medo e de covardia.

Portanto vamos para 2026 e que o peguemos pela frente, vamos enfrentá-lo de frente, pois medo do futuro, só se ele nos pegar pelas costas. Vamos enfrentá-lo de frente. Feliz 2026! Coragem, confiança, cooperação, criação, agroconsciência, e caráter e, sem dúvida alguma, um bom pedacinho ou bom pedação de amor ao nosso país!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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