CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Brasil & China: “não tenha medo do mercado”, Fernando Penteado Cardoso.

Publicado em 09/02/2026

Divulgação
Fernando Penteado Cardoso, fundador da Manah e criador da Agrisus

Frase lapidar do Dr. Penteado Cardoso, fundador da Manah, “Com Manah adubando dá”, criador da Agrisus (Fundação Agricultura Sustentável), in memorian após 106 anos de vida e experiência concreta: “não tenha medo do mercado ele ė muito maior do que você pode enxergar”.

Uso esta frase que ouvi diretamente deste gênio agrobrasileiro, pois existem muitos analistas de desgraças (a “sofrência” mercadológica) usando as estratégias de vitimização e do medo. Uma delas a respeito das relações China e Brasil.

A China se transformou no maior cliente brasileiro representando 30% de todas as exportações agrobrasileiras. Hoje a China significa praticamente 80% de toda soja exportada pelo Brasil e tem também uma dependência quase na mesma proporção do Brasil como seu fornecedor.

Mas ao olharmos esse fenômeno, e perguntarmos o que reuniu um país milenar como o chinês, a um país jovem como o Brasil, vamos encontrar por um lado um planejamento de estado impressionante feito na China nos últimos 60 anos, na maior revolução da economia mundial. De um PIB inferior ao brasileiro em 1960, hoje a China atingiu cerca de US$ 20 trilhões, sendo a 2ª maior economia do planeta, atrás somente dos Estados Unidos em torno de US$ 30 trilhões. Quer dizer, o PIB chinês é praticamente quase 10 vezes maior do que o nosso.

Porém nesse intervalo de tempo, o Brasil fez pelo seu lado uma revolução agro tropical. De importadores de alimentos viramos exportadores onde a indústria brasileira de alimentos e bebidas ė a maior fornecedora de alimentos industrializados do mundo em volume. Ao lado de heróis nacionais como citamos aqui a frase plena de coragem do agrônomo Penteado Cardoso (in memorian).

Agora essa história exige dois registros importantíssimos, foi quando em 2001 a China entra para a Organização Mundial do Comércio (OMC), tendo como um grande aliado dessa conquista exatamente a diplomacia brasileira que ao longo de 15 anos anteriores apoiou e promoveu o ingresso da China na OMC. Dessa data em diante as relações comerciais com o Brasil cresceram exponencialmente.

E a soja que já vinha sendo estimulada no Brasil, desde a década de 70 com a Embrapa, com apoio da JICA, agência internacional de cooperação do Japão que estimulou o Brasil a ser um fornecedor de soja, principalmente após a seca do rio Mississipi nos Estados Unidos em 1971, quando ocorreu um grave problema de desabastecimento dessa oleaginosa para o mercado japonês, grande demandante. Aí tomamos o Cerrado brasileiro e entra o valor de produtoras e produtores numa migração de muita luta, de empreendedores, cooperativas e ciência. E Brasil vai para o podium das três maiores agriculturas do mundo.

Portanto estamos agora em meio a guerras tarifárias, acordos União Europeia Mercosul, discussões sobre limites que a China poderia estar impondo por exemplo na importação de carne bovina brasileira. Participo de um documentário das relações Brasil China, onde as questões envolvem segurança alimentar, parceria estratégica e reposicionamento global do agro, liderança do futuro e tendência das relações bilaterais China Brasil doravante.

Minha visão ė de que o grande dragão chinês da Ásia tem no Brasil um jovem inovador e criativo único do cinturão tropical do planeta terra, portanto ambos são um para o outro estratégicos e envolvem segurança econômica e alimentar, além de energéticos e ambiental. E somos e temos sido neutros nos conflitos geopolíticos.

Precisamos agregar valor, e vender produtos que estimularão toda a gigantesca juventude chinesa a consumir não apenas nossas “silenciosas e anônimas commodities”, mas marcas, para deixarmos de ser apenas o “celeiro do mundo” e virmos a ser o “supermercado do mundo”, expressão de João Dornellas presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas (ABIA). Café, frutas e sucos tropicais que mercadão a disposição. E da China investimentos em logística, fertilizantes, tecnologias facilitarão por exemplo a incorporação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em cultivos regenerativos e 100% sustentáveis no Brasil.

Num jogo global agressivo e pleno de incertezas e inseguranças, as relações sérias, principalmente envolvendo segurança alimentar entre nações, terá como assinatura em qualquer acordo a palavra “confiança” numa era de desconfianças.

Diversificar é preciso, mas manter e crescer com os atuais clientes também ė imperativo. Creio na continuidade do crescimento do comércio Brasil China com diversificação de itens e necessariamente precisamos agregar valor e vender marcas brasileiras. Onde conhecimento estratégico em marketing será essencial e vital doravante.

O mercado da juventude chinesa terá cada vez mais hábitos ocidentais. Seus 1.400 bilhão de população, com 40 anos de idade média, ao lado da juventude indiana, com 1.471 bilhão de habitantes com 29 anos de idade média, haja oferta para essa inexorável mega demanda. Inteligência de marketing brasileira isso, sim, está na hora. Agora. “Não tenhamos medo do mercado”.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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