CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Dentre os maiores agros do mundo só o Brasil hoje significa confiança, mesmo com graves riscos estruturais.

Publicado em 11/03/2026

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Dentre os maiores agros do mundo só o Brasil hoje significa confiança

Os graves conflitos na Europa, no Oriente Médio, se transformam em guerras mundiais indiretas. Além da recente acusação do secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusando os três poderes do Brasil de conluio com o narcoterrorismo, mas aqui internamente recebemos informações de desabastecimento de diesel do Rio Grande do Sul, nas lavouras de arroz e soja, por exemplo, com aumento do preço, negado pela ANP.

Rio Grande do Sul que tem agora a Expodireto em Não Me Toque, na cooperativa Cotrijal, desejo sucesso ao presidente Manica, expositores e todos envolvidos. Também recebemos informações similares da Aprosoja MT. Também crescimento de recuperações judiciais, mais 56,4% em relação ao ano anterior, atingindo 1.990 casos.

Por outro lado, a bolsa de Chicago já aponta o aumento dos preços dos grãos, como soja, milho, nesta semana, enquanto o petróleo sobe e desce em torno dos US$ 100 o barril. Ou seja, os choques externos expõem a fragilidade da ausência de decisões estratégicas que diminuam a chance dos fatores incontroláveis interferirem com graves danos no agro brasileiro. Mas, todavia, porém, em paralelo ao que todos comentam agora, no meio da crise, dramas logísticos, dependência dos fertilizantes importados, necessidade de um plano agro de estado, vamos para uma reflexão consideravelmente importante.

Dentre os cinco maiores agros do mundo temos dois que são totalmente destinados à segurança interna de suas gigantescas populações, Índia com 1 bilhão, 471 milhões de habitantes e China com 1 bilhão, 405 milhões de habitantes. Os outros três são Estados Unidos, Brasil e Europa.

A Europa tem uma guerra no Leste, Rússia e Ucrânia, e já uma agricultura menor que a brasileira e sem perspectivas de crescimento. E aí ficam os outros dois maiores do agro mundial hoje, um o próprio Estados Unidos, e o outro o Brasil. E vai aqui a pergunta: qual o nível de confiança no assunto fornecimento de alimentos tem hoje os Estados Unidos numa guerra declarada no Oriente Médio e ao mesmo tempo numa guerra comercial de tarifaços com o mundo?

Com certeza o maior competidor brasileiro no agro hoje os Estados Unidos não contam com nenhuma confiança pela postura incerta e incontrolável do seu “estrategista vendedor mor”, o hard sell Donald Trump.Nesse aspecto o Brasil hoje se transformou no único país com um reconhecido grande agro, que pode dobrar de tamanho, um país que tem uma reputação confiável como fornecedor cumpridor dos compromissos contratados e combinados, inclusive no aspecto da segurança sanitária e que hoje está se virando para continuar abastecendo seus clientes do Oriente Médio, principalmente com a proteína animal, como Ricardo Santin da ABPA tem explicado.

Desta forma, em meio a uma “tempestade perfeita” de riscos para o agro brasileiro neste instante, principalmente por não termos a estrutura segura do lado de fora das porteiras, como declarou o ex-ministro Roberto Rodrigues, temos por outro lado uma enorme oportunidade de atrair investimentos, fechar os acordos comerciais como União Europeia e Mercosul e muitos outros, e de fato nos transformarmos no maior agro do mundo com confiabilidade tanto em alimentos quanto em bioenergia.

O agro tropical ambiental do Brasil com cooperativismo, empreendedorismo, e tendo “juízo” significa além de oportunidade real para o Brasil, representa segurança alimentar e energética mundial.

Hora de colocar foco na insegurança brasileira do lado de fora das porteiras. Somos campeões do lado de dentro e segunda divisão no antes e pós-porteira. Produtoras e produtores rurais não podem carregar nas suas costas a ausência de liderança nas decisões estruturais. Mesmo assim, somos um exemplo vital para o mundo.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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