Rádio Eldorado/Estadão - Dentro da porteira agro é campeão, fora da porteira é 2ª divisão!
Publicado em 09/03/2026
Divulgação
Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Estratégica
Com a subida do dólar em função da guerra no Oriente Médio, somos dependentes de fertilizantes, 85% do que usamos é importado, tem todo o grave drama da logística e também da movimentação aqui da colheita. Nós estamos em março, a colheita em ação, e preparação para a nova safra. Muitos riscos e o agro brasileiro dentro da porteira é campeão, mas do lado de fora é segunda divisão.
Tem muita coisa para fazer e eu pedi a um grande analista, que eu admiro muito, o Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Estratégica, que desse a sua opinião, principalmente com relação ao fertilizante. O que os agricultores devem fazer nesse momento de risco e ele me disse:
“Sempre é importante reforçar um ponto central para o agronegócio brasileiro. Antecipação de compras de fertilizantes é uma decisão estratégica de gestão de risco. O Brasil importa anualmente 85% dos fertilizantes que consome, o que expõe diretamente o setor agrícola às oscilações do mercado internacional. Isso significa que além do risco de preços elevados, existe também o outro risco muitas vezes subestimado, a escassez de oferta e as limitações logísticas para importar, internalizar e aplicar esses insumos no momento correto. O processo de aquisição e utilização de fertilizantes envolve um longo ciclo logístico desde a produção lá fora de embarque, transporte marítimo, desembarque nos portos brasileiros, distribuição interna e, finalmente, aplicação na lavoura. Por isso quando surge um choque geopolítico ou disrupção no comércio global o impacto pode ser imediato no abastecimento. Foi isso que vimos recentemente durante a pandemia da Covid-19 e posteriormente na guerra entre Rússia e Ucrânia, forte elevação dos preços internacionais de fertilizantes, especialmente nitrogenados e potássicos. Naquele momento parte dos produtores optou em reduzir os volumes comprados. Realmente naquele ano tivemos uma queda de 5 milhões de toneladas nas vendas de fertilizantes ou então postergar a aquisição, ajustando temporariamente o manejo nutricional das plantas e das lavouras. No entanto, essa redução mostra-se apenas transitória. Na safra seguinte ou em uma recomposição da demanda, intensificação das aplicações. Ok, o motivo é simples, nutrientes importados pelas culturas precisam ser repostos para manter o potencial produtivo dos solos. Esse é um ponto que leva a uma decisão de gestão de risco de estratégia mesmo. Outro ponto: o Brasil ainda enfrenta limitações culturais para alcançar autossuficiência de fertilizantes. Na produção doméstica insuficiente, principalmente em potássio e nitrogenados. E fatores como disponibilidade geológica, custo industrial, energia e logística dificultam uma rápida expansão da oferta interna. A autossuficiência, para mim, é algo muito distante pensando em Brasil. Por isso a posição a choques externos continua sendo uma característica estrutural do setor. Dá tempo de assegurar o abastecimento para a safra 2026/27. Antecipar estratégia de compra, não é apenas estratégia comercial, é uma forma de se proteger e proteger o potencial produtivo das lavouras e, por fim, a rentabilidade do produtor”.
Muito bem, agradeço ao Carlos Cogo e a opinião dele é que os agricultores deveriam buscar uma segurança no suprimento.
Agora é impressionante como nós somos expostos a choques externos e eu creio que o agronegócio brasileiro doravante ou temos aí um efetivo plano de estado para corrigir os dramas todos que são do lado de fora da porteira ou nós entramos realmente em um ponto de impossibilidade de crescimento e esse assunto agora está, mais um deles, se revela. Provavelmente também haverá um aumento no preço das commodities, da soja, do milho, isso acostuma acompanhar muito a evolução dos preços do petróleo.
Pois bem, gestão, gestão, gestão, e nós somos campeão do lado de dentro da porteira, mas segunda divisão do lado de fora.
José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.