CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Sistemas e gestão ambientais exigem liderança nacional urgente!

Publicado em 15/04/2026

Divulgação
Raoni Rajão, Dr. de Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia no Depto. de Engenharia da UFMG

Conversei com o Doutor e Professor de Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia no Departamento de Engenharia da UFMG, Raoni Rajão, e perguntei a ele como estamos preparados para responder ao mundo se nossa segurança ambiental no agro perante tantos fóruns científicos, quanto ataques manipulados, como podemos ter, da investigação USTR e Donald Trump, desmatamento ilegal no Brasil?

“Essa pergunta é realmente essencial. Se de um lado o Brasil está sendo cada vez mais sendo pressionado internacionalmente pela União Europeia, UDR e o caso da investigação dos Estados Unidos, os compradores chineses também começam a perguntar mais, a exigir mais, por outro lado nós temos o privilégio de ter uma excelente capacidade de desenvolvimento científico e tecnológico principalmente na área de monitoramento por satélite. O Inpe desde o final da década de 60 tem uma agenda de trabalho intensa nessa área criando o PRODES, que é um sistema mais longevo do planeta Terra de monitoramento do uso da terra. Ao mesmo tempo nós temos universidades como a minha, a Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Goiás e várias outras que fazem um trabalho excelência na área de monitoramento remoto e os sistemas governamentais têm avançado. O Ibama acaba de lançar um sistema chamado Sinaflor Prodes que exatamente verifica a legalidade do desmatamento cruzando as autorizações que estão na base federal, que são dos estados, mas são enviados para o governo federal com Prodes. Além do mais tem o sistema Selo Verde que já está operacional em quatro estados, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará e Acre, que são sistemas dos governos desses estados e que integram dados de autorizações, portanto permitindo verificar a legalidade do desmatamento e não só, no caso também de alguns desses estados é possível já tirar ali diretamente uma comprovação automática de conformidade ambiental, ou seja, a custo zero para o produtor. Então as soluções estão na mesa, é claro que elas têm de evoluir, nós temos de continuar a investir em ciência e tecnologia, o setor produtivo tem que se apropriar e tem de exigir mais para um próprio monitoramento contínuo, mas nós não podemos fingir que estamos na Idade Média onde precisa ir a campo para verificar se existe algo ou não ao invés de usar imagens de satélite, inclusive de alta resolução. O Brasil tem soluções e vamos usá-las”.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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