CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Transformar crise em oportunidade e comunicar: foco

Publicado em 23/03/2026

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Entramos numa era onde descommoditizar passa a ser estratégia moderna e para isso é preciso comunicar

No Estadão (23/3 B3), Luis Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, escreve um ótimo raciocínio nos relembrando da gravíssima crise do petróleo dos anos 70 que simplesmente acabou com a época do chamado “milagre econômico“. O Brasil importava 80% do petróleo além da dependência externa dos fertilizantes. Criamos o Proálcool e a Petrobras progrediu transformando o país em exportador de petróleo apesar da dependência dos derivados.

Temos um ativo de conhecimentos efetivos no etanol, no biodiesel, no biogás permitindo acelerar alternativas de mobilidade como biometano. Temos uma produção agropecuária desenvolvida nos últimos 30 anos com efetivo domínio de sustentabilidade.

Retornei neste domingo de Cuiabá num encontro de pecuaristas num evento da Nutripura onde fica evidente todo aspecto, por exemplo, da carne a partir de uma agricultura regenerativa de pastos em integração com agricultura do milho e da soja, desenvolvendo a integração com florestas integradas, isso permite um ambiente de sanidade que faz um alimento além de mais saboroso, em mais saúde.

Essa originação, que quando é vista, analisada e visitada por comitivas internacionais in loco, deixa os membros dos países visitantes impressionados com o que estamos realizando nesta agropecuária em ambiente tropical evidenciando uma qualidade sem igual.

Um grupo de chineses visitava Sinop semana passada analisando como produzimos a carne bovina e constatando as nossas realidades sustentáveis e de convivência surpreendente para os visitantes da reunião de natureza, florestas, água, bem-estar animal, saúde da produção e isto produzindo uma carne com sabor incomparável, o que termina demonstrado nas degustações finais destes encontros técnicos.

Portanto, precisamos acelerar a transformação das crises em oportunidades e para isso temos que aprender a investir em comunicação, tanto a nível nacional quanto internacional.

Não vendemos simplesmente mais somente volumes, “commodities”. Entramos numa era onde “descommoditizar” passa a ser estratégia moderna e para descommoditizar é preciso comunicar. E comunicação não se faz apenas num diálogo entre nós mesmos e exige talentos e investimentos em campanhas publicitárias com conteúdo e mídias.

E estamos, da mesma forma, numa grave crise novamente da região do petróleo, com impactos nos fertilizantes, colocando em risco a logística da saída das safras em março, abril e maio e a expectativa da nova safra 2026/27 com a chegada e custo dos insumos. Mas temos conhecimento e podemos acelerar.

Etanol, biodiesel, biometano, biogás, motores, geradores, biodigestores veículos adaptados velozmente a essa transição, assim como Petrobras investindo em extração de petróleo e na industrialização dos derivados com subprodutos também essenciais aos fertilizantes, isto exige percepção e forte consciência de que podemos fazer, de forma veloz e sem tempo para perder.

Transformar crises em oportunidades, velozmente, para isso precisamos de comunicação orquestrada e liderada: foco.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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Entrevistei um especialista, engenheiro agrônomo da Tera Ambiental, o Fernando Carvalho Oliveira, que se dedica ao campo da nutrição vegetal, fertilizantes orgânicos compostos ao longo dos últimos 20 anos.
Estou no Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), onde tem muitos eventos importantes, mas tem um em particular que me chamou a atenção. Eu conversei com a Mariana Aragão, pesquisadora da Embrapa, que representa o Brasil no World Farmers’ Organisation, uma organização mundial de agricultores que praticamente aqui no Brasil nós desconhecemos.
Na previsão de especialistas poderíamos em 7 meses iniciar a produção nacional, com o princípio ativo ifa, para 400 milhões de unidades e nunca mais terminar esse processo.
Eu falo do Rio Grande do Sul. A situação está muito triste com a gripe aviária, com grandes impactos na economia e em um estado que tem sofrido quatro anos de dificuldades. E sobre gripe aviária eu preferi pedir ao ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, gaúcho também, foi presidente da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), hoje é presidente do conselho dessa entidade, e que tem uma experiência pessoal de enfrentamentos e dramas como esse.
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