CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Superssafra e inflação dá combinação?

Publicado em 11/02/2021

Divulgação Conab
Superssafra de grãos

Infelizmente sim. Em épocas de guerra como está. Uma guerra onde não temos bombas atômicas, mas temos uma bomba invisível, um vírus que nos ataca no organismo e que também nos cria danos nos neurônios.

As pessoas me perguntam: Tejon você fala que temos uma superssafra e como explica o custo da alimentação ter crescido 14,81% nos últimos 12 meses. Por que o arroz cresceu 74,14%, o feijão carioca subiu 18,53%, as carnes 22,82%? Ou mais? Os frigoríficos têm dificuldades pare repor carne bovina , pois a arroba do boi nunca esteve tão alta. A soja em preços como nunca vistos no mercado mundial, o milho da mesma forma. Então o que acontece?

Não adianta procurar culpados. Numa guerra as commodities essenciais multiplicam os preços, as cadeias de produção sofrem, e hoje mesmo, agorinha, não temos conteiners suficientes para deslocamento de mercadorias nos navios. Falta papelão para embalagem, falta aço, alumínio para as máquinas. Quer dizer, falta o fundamental, sobem os preços e ainda por cima temos uma alta forte no dólar, o que pode ser ótimo para quem vende, mas terrível para quem importa.

E isto tudo impacta os preços dos alimentos. Fomos os primeiros aqui, alertados pela Abras, Associação Brasileira dos Supermercados, ainda em setembro de 2020, sobre a impossibilidade de reabastecer os supermercados com os mesmos preços do arroz, da soja, das carnes.

Na época o presidente da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, na época Guilherme Bastos, se reuniu com os diversos elos das cadeias produtivas e ficou decidido eliminar impostos para a importação dos produtos essenciais.Infelizmente esse presidente da Conab foi demitido e substituído por outro presidente em função dos acertos políticos do governo, mas esse tema é para outro comentário.

Portanto, sim, superssafra e inflação podem dar combinação, mas atenção! Sem a superssafra seria desastroso, e mais, se o Brasil não tivesse aprendido a produzir em terras tropicais fracas, como há 50 anos atrás, a situação do Brasil seria catastrófica.

Obrigado senhoras e senhores produtores rurais, ao lado da ótima ciência tropical brasileira. Superssafra e inflação pode dar combinação? Sim. Mas sem superssafra seria destruição.

José Luiz Tejon para Cabeça de Líder.

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Conversando com líderes no estado do Paraná, observei por exemplo a diminuição do preço da saca do milho. Era antes da crise cerca de R$ 30 uma saca de 60 kg. Chegou a R$ 90 e agora baixou para cerca de R$ 75 e ouvi de lideranças como a de José Aroldo Gallassini, presidente do Conselho da Coamo, a maior cooperativa do país: “agricultor as vezes termina vendendo na baixa, por esperar preços impossíveis e tem prejuízo”.
Temos enfatizado aqui no Agroconsciente a importância da reunião, da articulação da iniciativa privada, da sociedade civil organizada para a busca de um melhor entendimento, desenvolvimento e prosperidade de todo o sistema do agronegócio, que envolve o antes, o dentro e pós-porteira das fazendas e nesse sentido a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) participou de um Fórum na Associação Comercial de São Paulo para exatamente debater, conversar, sobre tendências e perspectivas do agronegócio brasileiro.
O agronegócio está carente de um planejamento estratégico. Muito além de xingamentos, mentiras, fakenews, ideologias e intrigas de uns contra os outros. Afinal agronegócio significa coordenação de todos os elos das cadeias produtivas.
Entidades agroindustriais pedem sensatez e pacificação do país. A Abag, Abiove, Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia de Nutrição Vegetal), Abrapalma, Croplife, Sindiveg (Sindicato da Indústria para Defesa Vegetal) e IBA, soltaram um manifesto onde em síntese expõem: preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional. 
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