CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Transporte do agronegócio com trem é agroconsciente

Publicado em 19/03/2021

Divulgação
Terminal São Simão, Goiás.

A Ferrovia Norte-Sul, em construção pela iniciativa privada, será capaz de evitar a emissão de 370 mil toneladas de CO2 em comparação com as mesmas cargas em transporte modal rodoviário. Recentemente foi inaugurado o terminal de São Simão, em Goiás, numa parceria da Rumo com a Caramuru Alimentos. A Caramuru opera a ferrovia São Simão a Santos.

Na saída norte, a Caramuru também investiu R$ 50 milhões nos terminais de Itaituba (Pará) e Santana (Amapá), isso para viabilizar sua competitividade no frete de soja e não transgênicos para atender a Europa. O trecho total dessa concessão terá 1.537 km, ligando Porto Nacional, em Tocantins a Estrela d’Oeste, em São Paulo. Também destaca-se a Caramuru por ser a maior operadora da hidrovia Tietê-Paraná .

A Norte-Sul inteira terá 4.155 km de Barbacena, no Pará até o Porto do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A situação do Brasil, já um grande competidor no agronegócio, é de elevada competência dentro da porteira das fazendas, mas série B ou C na logística.

No caso de trens, enquanto a Rússia tem nas ferrovias 81% da sua matriz de transporte de cargas, o Canadá 46%, Austrália 43%; Estados Unidos 43%,  China 32%, o Brasil tem apenas 15%. Sendo 65% rodoviário e outros 20% aquaviário e outros. Nossa densidade de malhas ferroviárias perde para África do Sul, Argentina e México.

A partir de 1996 as ferrovias foram concedidas à iniciativa privada e as empresas são filiadas a ANTF - Associação Nacional dos Transportes Ferroviários. 75 bilhões de reais foram investidos pelas companhias que, se atualizados, pelo IPCA somariam hoje R$ 113 bilhões, onde recuperação da malha é o principal ponto.

O empresário César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru Alimentos, me disse: “a Caramuru, que sempre teve foco na busca por maior eficiência de suas operações, vê o projeto do terminal de São Simão como pedra angular de sua estratégia logística. Para a Caramuru que já é a maior operadora da hidrovia Tietê-Paraná, a inauguração de São Simão representa um novo capítulo na história do desenvolvimento da companhia”.

Quase dobramos o transporte de cargas desde 1997. Nas ferrovias, porém, é pouco e precisamos dar um salto em altíssima velocidade. As questões terminam por sofrer divergências como entre o governo e Rubens Ometto, outra operadora de logística na Ferronorte para esticar de Rondonópolis até Lucas do Rio Verde. A questão está em fazer ou não nova licitação.

E uma simples comparação. Um trem com 120 vagões graneleiro equivaleria a 261 caminhões. Na norte-sul a extensão norte até o Pará e sul, até o Rio Grande do Sul ainda não tem previsão de conclusão. Um estudo da consultoria Scott revela que o custo do transporte rodoviário é 6 vezes maior do que o ferroviário, e que se crescêssemos o PIB a 5% ao ano colapsaríamos a logística.

Desta forma, agroconsciente de novo nos remete ao planejamento estratégico, e que a sociedade civil organizada fique livre para investir nas ferrovias, como o bom exemplo da Caramuru Alimentos com a Rumo. Não basta produzir e industrializar, tem que distribuir para competir no mundo inteiro. O desafio do país, lembrando que no plano de valorização do café no início do século XX foram os cafeicultores que pagaram a malha paulista, indo até o Porto de Santos, por trem.

Como me salientou o ex-ministro Alysson Paolinelli: “não espere por governo, a sociedade precisa fazer”. Claro, caminhoneiros são valiosos e sempre serão fundamentais, porém com mais ferrovias terão melhor qualidade de vida, como ocorre em outros países.

Parabéns Caramuru Alimentos, quem realiza não se vitimiza.

José Luiz Tejon para a Rádio Eldorado.

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