CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

AGROCONSCIENTE - Sem harmonia Brasil não vira melodia

Publicado em 19/06/2026

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Sem harmonia, Brasil não vira melodia!

Na bandeira brasileira além de ordem e progresso falta a palavra harmonia. Escola de samba não entra na avenida sem a regência da harmonia. Anita, Shakira, Lady Gaga não existiriam sem a arte da conjunção dos acordes que criam melodia, caso contrário teríamos cacofonia. Orquestras, meu querido amigo maestro João Carlos Martins, o maior intérprete de Bach do século XX, sabe perfeitamente que o sucesso de um grande pianista depende do maestro e de uma orquestra tocando junto na harmonia de todos os instrumentos.

O Brasil tem uma percepção externa, como avaliamos na pesquisa Marca Brasil em 26 países, com 470 mil entrevistas, e 26 estados brasileiros, positiva para os valores de natureza, povo e afetividade, turismo e alimentos e um agro já percebido. A reunião desses quatro elementos, dessas quatro alas da nossa escola de samba precisam estar integrados na mesma melodia. Sem uma regência, sem uma ordem harmônica não teremos o progresso merecido e na velocidade necessária.

Estamos numa competição global plena de incertezas e desafios e numa evidente guerra mediática, de propaganda, num burburinho geopolítico, conflitos de egos, se pudéssemos ouvir o som da terra com certeza não escutaríamos uma sinfonia e sim uma cacofonia.

Desta forma, quando compreendemos que o agronegócio brasileiro se transformou num concorrente internacional de grandes economias como o próprio Estados Unidos e todo bloco europeu, não podemos mais simplesmente nos assentarmos no justo prêmio de uma competência agropecuária e agroindustrial dos últimos 40 anos, sem doravante uma estratégia competente de propaganda das essências brasileiras, aquelas que conquistam corações e mentes de todos os povos mundiais.

O Brasil tem a maior citricultura do mundo, a maior cafeicultura, a proteína animal, o algodão, a fruticultura, o papel e celulose, os grãos que alimentam as rações planetárias, temos flores, lichias, canola, trigo, sorgo, soja, milho, palma; voltaremos a seringueira, ao cacau, somos gigantes na cana de açúcar, nos biocombustíveis. E tudo isso com uma inteligência de sustentabilidade sem a qual jamais poderíamos ter criado esse país agrotropical com a maior área de reservas florestais como tão bem os satélites revelam.

Mas e daí? Qualidade total precisa ser percebida. Nossos produtos originados com tecnologias tropicais, com pesquisas premiadas internacionais como a Drª. Mariângela Hungria, a mais recente 2025, com o Nobel da Agricultura, com seus estudos de fixação de nitrogênio no solo, como a Embrapa, Cenargen atuando com materiais genéticos no maior banco de sementes do mundo na Noruega, agora 2026, com uma Esalq fazendo 125 anos e sua diretora Drª Thaís Vieira recebendo a comenda de “ordem do mérito agrícola francesa”. Enfim, são realidades construídas nesta nação tropical por uma mistura de povos que aqui chegaram, todos sofridos, perseguidos, escapando de guerras e fome, e aqui esses nossos ancestrais nos permitiram criar um exemplo planetário de uma civilização tropical única, nos misturando todos.

Sem uma entratégia e um planejamento de estado, reunindo o público e o privado, não iremos obter o progresso potencial dos próximos 40 anos. Se fizermos igual ao que fizemos até aqui, não basta para irmos ao futuro. Com um planejamento estratégico de estado reuniremos uma SECOM, Secretaria de Comunicação do governo a esforços conjugados empresariais com a sociedade civil organizada e aí, sim, iremos obter uma força de sons, cantos, acordes, o que nos permitirá transformar o Brasil numa envolvente e persuasiva melodia para embalar e atrair os corações e mentes de todos os povos nossos clientes. E além disso sermos, de fato, como assina Roberto Rodrigues o país da paz, pois alimento é paz.

O agro brasileiro é um sucesso inegável, porém precisa de merecida propaganda para que essa realidade não sofra injustamente pela inexistência de sua real percepção. Ao lado da indústria de alimentação e bebidas ABIA, que compra 65% de tudo o que a agropecuária brasileira produz, e vende para cerca de 200 países, precisamos de propaganda para fazer do Brasil uma deliciosa melodia ouvida e encantando o mundo inteiro.

Sem harmonia o Brasil não vira melodia, e sofreremos do mal da “cacofonia”.

Ordem, progresso, harmonia.

José Luiz Tejon para ao Agroconsciente.

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