CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Ser ou não ser sustentável não se discute. Como ser um país com marca sustentável? Eis a questão!

Publicado em 14/12/2022

Divulgação
CBAMs

Ao contrário da frase histórica do imperador Júlio Cesar no ano 63 a.C: “a mulher de César não basta ser honesta deve parecer honesta”, com a tecnologia e rastreabilidade que palmilha todo planeta sob satélites numa mega indústria algorítmica, a batalha pela sustentabilidade e mudança climática faz dessa questão dominante na civilização contemporânea, a sustentabilidade, o inverso de Júlio César: sustentabilidade não basta parecer, precisa ser.

O parlamento europeu aprovou o “Carbon Border Adjustment Mechanism – CBAM”, um certificado que objetiva equalizar os preços do carbono pago por produtos europeus com outros produtos importados de fora da Europa. Essa regra vai obrigar as empresas que importam produtos do exterior a pagar a diferença entre o preço do carbono no exterior versus o preço autorizado do carbono pelo sistema de emissões de comércio da União Europeia. Em inglês EU - ETS.

A lei e nova regra a ser iniciada em outubro de 2023, em total concordância e compliance da Organização Mundial de Comércio, terá no período de transição o objetivo de obrigar as empresas importadoras a fornecer relatórios.

O escopo dos CBAM’s começa com itens sabidamente muito poluidores como ferro, aço, cimento, alumínio, fertilizantes, eletricidade e produtos deles derivados, são as emissões indiretas.

Conversei com Daniel Vargas coordenador do Observatório da Bioeconomia da FGV sobre os CBAM’s. Ele me disse: “não afeta o agro agora, porém a tendência é que a regra seja expandida para outros setores e deve chegar ao agro. Há pressão para incluir o agro no CBAM, liderado pela Alemanha. A Europa tem avançado em regulações sobre a produção de alimentos, a tendência é que alimentos que venham de fora sigam o mesmo nível de compromisso climático”.

Conversando com líderes do agro sustentável brasileiro, fica a pergunta: quais serão as métricas para avaliação desse modelo? Como será essa régua de avaliação criada? Quem as irá definir?

Estamos participando como protagonistas dessa inevitável questão. Precisamos de uma diplomacia da sustentabilidade e da mudança climática protagonista doravante nos fóruns de discussão internacionais, pois “quem parte e reparte fica com a melhor parte”.

Portanto, o “cerco aperta” como também registra Roberto Rodrigues, coordenador da FGV-Agro.

Nossos inimigos maiores são:

1 – O crime da grilagem de terras, contrabando, o ambiente ilegal;

2 - Negacionistas da sustentabilidade;

3 - “Comicidios” - comícios manipuladores populistas associando o tema a perda da soberania nacional com manchas ideológicas ultrapassadas;

4 - Ausência de um planejamento estratégico de estado para a prosperidade das populações do bioma amazônico com dignidade humana e impacto positivo no PIB do país;

5 - Ações de comunicação ética das iniciativas avançadas que o país já sabe e já realiza. Falta percepção das realidades sustentáveis positivas do país.

Precisamos de um metaverso do Brasil sustentável, pois como Raul Seixas canta na sua música Prelúdio, “sonho que se sonha só é só sonho, sonho que se sonha junto é realidade”, mas, cuidado, vale também para pesadelos, o oposto.

Ser ou não ser sustentável não se discute, como ser um país com marca sustentável, eis a questão.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Eu quero ouvir “Bom dia minha terra”, música linda da Roberta Miranda, que passa a ser o nosso hino agroconsciente. Zé Nêumanne, brilhante jornalista do Estadão, e sempre admirado por Ney Bittencourt de Araújo, criador do agronegócio no Brasil (in memorian), me disse: “essa música é linda, “Bom dia minha terra”, composição da paraibana Roberta Miranda.
Estou em um trabalho extraordinário de transformação do agro brasileiro a partir da robótica, da Inteligência Artificial (IA), do mundo digital e como isso vai transformar toda a gestão. E para falar sobre essa transformação conversei com o Emerson Crepaldi, CEO da Solfintec América Latina, e que já tem hoje, aqui no Brasil, mais de 12 milhões de hectares trabalhados sobre essa visão de moderna gestão onde a IA já está.
O presidente anterior se alinhava ao Trump e arrumava mal estar com os outros clientes brasileiros, inclusive a China, o maior. O atual vai na China e arruma mal estar com os outros maiores, Europa e Estados Unidos. Enquanto no Brasil o MST, na busca por aparecer na mídia invade a Suzano, e a Embrapa Semiárido em Pernambuco, enquanto temos no Brasil cerca de 4 milhões de famílias agrícolas pequenas, com terra, passando fome, cuja única solução é exatamente o cooperativismo, vale registrar que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se pronunciou: “as invasões são inaceitáveis e criminosas”.
Na semana passada a ministra Tereza Cristina, em Luís Eduardo Magalhães no oeste da Bahia, numa teleconferência participando da abertura nacional da colheita disse: “o ouro do agro brasileiro vai ser cada vez mais respeitado, mostrando a qualidade e a sustentabilidade que nossos produtores plantam e colhem a soja para nosso consumidor brasileiro, mas também para muitos países que usam e necessitam cada vez mais do ouro brasileiro”.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite